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    Crítica De Belfast ao Paraíso: Lisa McGee troca “Derry Girls” por uma jornada de mistério

    Matheus AmorimPor Matheus Amorimfevereiro 12, 2026Nenhum comentário5 Minutos de leitura
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    As atrizes Roisin Gallagher, Sinead Keenan e Caoilfhionn Dunne em cena de De Belfast ao Paraíso
    Imagem: Divulgação
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    Se você ainda sente o vazio deixado pelo fim de Derry Girls, pode respirar aliviado: Lisa McGee está de volta e ela não perdeu nem um grama de seu timing cômico afiado. Em De Belfast ao Paraíso, a criadora nos transporta novamente para a Irlanda, mas troca os dramas adolescentes por uma crise de meia-idade regada a mistério e situações que beiram o surreal.

    Eu confesso que dei o play esperando apenas um sitcom leve sobre amizade, mas o que recebi foi uma “road trip” que consegue ser, ao mesmo tempo, hilária e genuinamente intrigante. A trama gira em torno de três amigas de infância que a vida tratou de afastar.  Saoirse (Roisin Gallagher) é uma roteirista de TV caótica; Robyn (Sinead Keenan) é a típica mãe controladora à beira de um colapso nervoso; e Dara (Caoilfhionn Dunne) é a cuidadora reservada que parece guardar o mundo nas costas.

    Três mulheres, um cadáver e o caos irlandês De Belfast ao Paraíso

    O reencontro forçado acontece pelo motivo mais triste possível: a morte da quarta integrante do grupo. O que deveria ser um velório protocolar, no entanto, se transforma em uma odisséia inexplicável pelo interior da Irlanda quando elas percebem que a morte da amiga não foi nada convencional.

    O grande charme da série reside na dinâmica desse trio improvável. Lisa McGee escreve mulheres reais, com falhas expostas e diálogos que parecem ter sido roubados de uma mesa de bar. Nós do 365 Filmes percebemos que o humor não vem de piadas prontas, mas da fricção entre as personalidades das protagonistas.

    Enquanto tentam decifrar os segredos que a amiga falecida deixou para trás, elas são obrigadas a encarar suas próprias frustrações aos 30 e poucos anos. É uma jornada perigosa, mas pontuada por aquele cinismo irlandês que transforma a tragédia em comédia em questão de segundos.

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    A série utiliza seus oito episódios para construir um quebra-cabeça que vai muito além de “quem matou?”. Trata-se de uma investigação sobre o passado e sobre como as promessas que fazemos na juventude raramente sobrevivem ao impacto da vida adulta.

    Lisa McGee e a arte de misturar gêneros

    Mudar da comédia pura para o suspense policial não é uma tarefa fácil, mas McGee faz isso parecer simples. Ela utiliza a “névoa” dos segredos do passado para criar um clima de tensão constante, sem nunca abandonar o absurdo. Há situações na série que lembram o melhor do humor ácido britânico, onde o perigo real é intercalado com momentos de pura vergonha alheia.

    É essa mistura de tons que mantém o espectador preso: você quer saber o que aconteceu com a quarta amiga, mas também quer ver qual será a próxima confusão em que Saoirse vai meter o grupo. Visualmente, a série explora as paisagens da Irlanda de forma que foge do óbvio turístico.

    O cenário é usado para reforçar a sensação de isolamento e estranheza que permeia a investigação. A direção de arte consegue traduzir visualmente o caos da vida das três protagonistas, contrastando o ambiente doméstico estressante de Robyn com a vida nômade e desleixada de Saoirse.

    O veredito sobre essa odisséia inexplicável

    No fim das contas, De Belfast ao Paraíso é uma celebração da resiliência feminina e da amizade como bote de salvamento. O mistério central é bem amarrado, mas o que realmente fica é a jornada de autodescoberta das três sobreviventes. Lisa McGee prova que sabe falar sobre a Irlanda como ninguém, usando o localismo para tocar em temas universais como arrependimento e recomeço. É uma série curta, intensa e extremamente divertida, ideal para quem busca algo que fuja das fórmulas repetitivas dos thrillers americanos tradicionais.

    O roteiro reserva surpresas genuínas até o último episódio, mantendo o equilíbrio entre o riso e o choque. Ao encerrar a temporada, a sensação é de que conhecemos aquelas mulheres intimamente. Elas não são heroínas; são pessoas comuns tentando dar sentido a uma perda inexplicável em um mundo que parece ter enlouquecido. É televisão de qualidade, feita com alma e muita acidez, reafirmando McGee como uma das vozes mais originais e necessárias da escrita contemporânea.

    As atrizes Roisin Gallagher, Sinead Keenan e Caoilfhionn Dunne em cena de De Belfast ao Paraíso
    Imagem: Divulgação

    Vale a pena assistir?

    De Belfast ao Paraíso é uma maratona imperdível para quem aprecia comédias de humor negro com uma pitada de mistério policial. A série consegue honrar o legado de sua criadora ao mesmo tempo em que explora novos territórios narrativos.

    Nos pontos positivos, a química do elenco principal é o motor que faz tudo funcionar, entregando atuações naturais e hilárias. O roteiro de Lisa McGee é afiado, cheio de reviravoltas que fazem sentido e diálogos brilhantes. Além disso, a forma como a série aborda a amizade feminina na vida adulta é honesta e foge dos clichês açucarados. É uma produção ágil, que não desperdiça o tempo do espectador e entrega um final satisfatório.

    Por outro lado, o sotaque carregado e as referências culturais específicas da Irlanda podem exigir um pouco mais de atenção de quem não está acostumado, mas nada que comprometa a diversão. Alguns podem achar que certas situações beiram o absurdo demais, mas essa é justamente a proposta da obra. Se você gosta de histórias que misturam lágrimas, gargalhadas e um bom mistério, essa série é para você.

    De Belfast ao Paraíso

    7.8 Bom

    Nos pontos positivos, a química do elenco principal é o motor que faz tudo funcionar, entregando atuações naturais e hilárias. O roteiro de Lisa McGee é afiado, cheio de reviravoltas que fazem sentido e diálogos brilhantes.

    • NOTA 7.8
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    Matheus Amorim
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    Sou Matheus Amorim Paixão, redator, crítico e fundador do 365Filmes (CNPJ: 48.363.896/0001-08). Com trajetória consolidada no mercado digital desde 2021, especializei-me em crítica cinematográfica e análise de tendências no streaming. Minha autoridade foi construída através de passagens por portais de referência como Cultura Genial, TechShake e MasterDica, onde desenvolvi um rigor técnico voltado à curadoria estratégica e experiência do espectador. No 365 Filmes, meu compromisso é entregar análises fundamentadas e honestidade intelectual, conectando audiências às melhores narrativas da sétima arte.

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