Bilheterias bilionárias, prêmios e brinquedos voando das prateleiras. Ainda assim, uma das mentes por trás de Miles Morales diz não ver nenhum centavo desse sucesso todo.
Em conversa recente na CCXP 25, a desenhista italiana Sara Pichelli contou que, apesar de ter cocriado o herói em 2011, não recebe royalties de filmes, jogos ou mercadorias ligadas ao Spider-Verse. A declaração movimentou fãs, artistas e sites especializados, como o 365 Filmes, que acompanham de perto cada balanço dessa franquia avaliada em bilhões.
Quem é Sara Pichelli e qual foi a revelação
Pichelli participou de um painel transmitido pelo canal Jamesons durante o evento em São Paulo. Questionada se recebe parte dos lucros gerados por Miles Morales, ela respondeu com bom humor e uma ponta de frustração: “Quem me dera! Se recebesse, já seria bilionária”. Depois, em tom mais sério, classificou a situação como “a parte mais triste” de sua carreira.
A artista criou Miles ao lado do roteirista Brian Michael Bendis, dentro do selo Ultimate da Marvel Comics. Seu traço apresentou não só o novo Homem-Aranha ao mundo, como também a família Morales e vários coadjuvantes que hoje aparecem nas telonas.
Por que ela não recebe direitos autorais
Segundo a própria desenhista, o contrato assinado com a Marvel era do tipo work for hire, prática comum na indústria dos quadrinhos norte-americana. Nesse modelo, a empresa detém toda a propriedade intelectual, pagando apenas o valor combinado pelo trabalho entregue, sem obrigação de repartir receitas futuras.
Assim, mesmo com a explosão de popularidade do personagem nos cinemas, nos consoles e em produtos licenciados, Pichelli não tem participação financeira. “Fui paga à vista pelos quadrinhos. E só”, explicou durante a entrevista.
O tamanho do fenômeno Miles Morales
Só a animação Homem-Aranha: No Aranhaverso arrecadou mais de 384 milhões de dólares e levou o Oscar de Melhor Longa de Animação em 2019. A sequência, Através do Aranhaverso, ultrapassou a marca de 690 milhões em 2023. Há ainda um terceiro filme, Além do Aranhaverso, marcado para 2027.
Nos videogames, Marvel’s Spider-Man: Miles Morales vendeu milhões de cópias nos consoles PlayStation. Quando se somam bilheterias, licenças e produtos, analistas do mercado estimam que a “marca Miles Morales” já tenha movimentado valores na casa do bilhão de dólares.
Reações de fãs e profissionais
A fala de Pichelli repercutiu nas redes sociais. Muitos leitores lembraram casos similares envolvendo criadores que viram suas ideias renderem fortunas sem retorno equivalente. Diversos artistas propuseram uma campanha online para pressionar editoras e estúdios a revisarem políticas de remuneração.
A própria desenhista elogiou a iniciativa, mas destacou que mudanças dependem de negociações contratuais futuras. “Quero que Miles continue crescendo, porém seria justo que quem ajudou a dar vida a ele cresça junto”, afirmou.
Imagem: Imagem: Divulgação
Entenda o modelo work for hire
No sistema norte-americano, quadrinistas normalmente prestam serviço como freelancers para as grandes editoras. O pagamento cobre roteiro, arte-final, cores ou letras, mas não garante participação em adaptações. Foi assim com Jack Kirby, Bill Finger e tantos outros que viram seus personagens virarem ícones da cultura pop sem retorno proporcional.
Com a globalização do entretenimento e o aumento de arrecadação de blockbusters, o debate sobre direitos autorais ganhou força. Além disso, plataformas de streaming, jogos mobile e colecionáveis ampliaram as fontes de receita, acendendo o alerta entre criadores.
Perspectivas para futuras negociações
Especialistas em propriedade intelectual apontam que contratos contemporâneos já preveem bônus ou porcentagens de licenciamento, principalmente para nomes consolidados do mercado. Contudo, renegociar acordos antigos é processo complexo, pois envolve cláusulas de cessão vitalícia.
Mesmo sem garantia de compensação retroativa, a pressão pública costuma surtir efeito. Casos recentes mostram editoras adotando programas de reconhecimento financeiro para criadores cujas obras viraram filmes ou séries.
Possível efeito dominó no Spider-Verse
Se a repercussão continuar alta, a Marvel e a Sony Pictures podem considerar algum gesto simbólico. Isso evitaria desgaste de imagem em uma época na qual transparência e responsabilidade social influenciam a percepção do público.
Miles Morales segue em alta
Enquanto a discussão sobre royalties rola solta, o Aranha de traje preto com detalhes vermelhos segue balançando nas telonas e nos games. A terceira animação promete expandir ainda mais o multiverso do herói, e rumores apontam aparições live-action em projetos futuros.
Para 365 Filmes, fica a reflexão: como equilibrar paixão criativa e retorno justo em uma indústria que fatura tanto com os sonhos transformados em páginas de HQ?
