Clint Eastwood já reinventou o faroeste algumas vezes, mas poucas pessoas sabem que ele quase dividiu cena com Jack Nicholson em uma produção carregada de elementos góticos. O filme, que teria direção de Tim Burton, adaptaria o livro The Hawkline Monster: A Gothic Western, misturando pistoleiros amorais e criaturas bizarras em pleno Oregon de 1902.
O encontro de Clint Eastwood e Tim Burton soa improvável, mas foi real durante alguns meses nos anos 1980. A combinação do herói taciturno com o estilo sombrio do cineasta prometia algo único. Mesmo assim, o roteiro nunca chegou a agradar ao elenco, e o projeto acabou engavetado, deixando um “e se” que ainda intriga fãs e cinéfilos do 365 Filmes.
A gênese de The Hawkline Monster
Escrito por Richard Brautigan, o romance The Hawkline Monster acompanha dois pistoleiros contratados pela jovem Magic Child para eliminar a criatura que vive nas cavernas geladas sob sua casa. O livro mescla humor negro, terror e ficção científica, terreno perfeito para o imaginário de Tim Burton.
Burton, entusiasmado com o potencial visual da trama, aproximou-se de Clint Eastwood e Tim Burton (a dupla que renderia manchetes) logo após deixar projetos da Disney. O realizador acreditava que a persona de Eastwood como anti-herói encaixava nos pistoleiros moralmente ambíguos da história.
Por que Tim Burton não levou o filme adiante
Antes de Burton, Hal Ashby já tentara filmar o livro e contava com Jack Nicholson nos créditos. Brautigan chegou a escrever um esboço de roteiro, mas Ashby não se sentiu satisfeito e abandonou a empreitada.
Quando Burton assumiu, manteve Nicholson e garantiu a presença de Eastwood. O problema continuava: nenhum tratamento de roteiro equilibrava o faroeste clássico com o horror grotesco. Sem consenso criativo, Eastwood e Nicholson desistiram. Sem estrelas, Burton também recuou.
Principais obstáculos
- Conciliação entre tom cômico, terror e ação.
- Manter a essência literária sem comprometer a narrativa cinematográfica.
- Garantir que Eastwood e Nicholson se sentissem confortáveis na proposta incomum.
Clint Eastwood já flertava com o sobrenatural
Embora pareça ousado colocar Clint Eastwood e Tim Burton juntos, o ator não era novato em histórias fantásticas. Em High Plains Drifter (1973), ele interpreta um estranho que pode ser o fantasma de um xerife assassinado. Já em Pale Rider (1985), assume praticamente a personificação da Morte que assombra uma comunidade mineira.
Imagem: INSTARs
A grande diferença é que The Hawkline Monster extrapolaria o subgênero, adotando criaturas deformadas e reviravoltas dignas de ficção científica. Eastwood surgiria como “homem sério” em meio a situações absurdas, potencializando o contraste pretendido por Burton.
Outros diretores que tentaram a adaptação
Quase quatro décadas depois, outro nome prestigiado entrou em cena: Yorgos Lanthimos. Em 2019, o grego de O Lagosta e A Favorita uniu forças com o roteirista Tony McNamara e os estúdios New Regency e Vertigo Entertainment. Mesmo com todo o respaldo, a iniciativa empacou, repetindo o ciclo de impasses vistos nas tentativas anteriores.
Lanthimos seguiu para projetos como Poor Things e Bugonia, deixando The Hawkline Monster novamente sem previsão. Hoje, o filme permanece como um título lendário, requisitado por cinéfilos que imaginam como seria ver Clint Eastwood e Tim Burton no mesmo pôster.
O legado do “faroeste gótico” que nunca existiu
A história da adaptação frustrada reforça o fascínio de Hollywood por faroestes híbridos. De cowboys contra alienígenas a vampiros na fronteira, o gênero vive se reinventando. No entanto, poucos projetos reúnem uma trinca de ícones como Eastwood, Nicholson e Burton.
Mesmo sem sair do papel, The Hawkline Monster ganhou status de lenda urbana e segue inspirando especulações. De tempos em tempos, surge novo rumor sobre sua ressuscitação, mas, até agora, o filme continua preso nas cavernas geladas da imaginação coletiva.
