Quem cresceu jogando Mortal Kombat costuma apontar Bloodsport ou Operação Dragão como grandes referências para a série. No entanto, existe um longa-metragem taiwanês lançado em 1976 que carrega, sozinho, quase todos os pilares que definiram o jogo.
Trata-se de Master of the Flying Guillotine, sequência direta de The One-Armed Boxer, que combina torneio mortal, armas exóticas e finalizações sangrentas. O 365 Filmes revisitou a produção para mostrar por que vale o play de qualquer fã da franquia.
O que é Master of the Flying Guillotine
Dirigido e estrelado por Jimmy Wang Yu, o filme chegou aos cinemas em 24 de abril de 1976, com 93 minutos de duração. A trama acompanha o Boxeador de Um Braço, que sobreviveu a um massacre, mas agora precisa enfrentar o mestre de dois assassinos que ele mesmo eliminou no título anterior.
O vilão Fung Chu Wun Chi, interpretado por Kam Kong, usa a temida “guilhotina voadora” — um cesto com lâminas acoplado a uma corrente, capaz de decapitar o alvo à distância. Obcecado por vingança, ele decide matar todo homem de um braço só até encontrar seu verdadeiro inimigo.
Torneio de artes marciais lembra Mortal Kombat
O fio condutor do enredo é um torneio aberto, repleto de lutadores de vários cantos do mundo. Entre os competidores há um especialista indiano em ioga, um praticante de Muay Thai, um lutador mongol, além de diversos mestres de estilos clássicos de kung fu.
Assim como acontece em Mortal Kombat, cada desafiante entra em cena com golpes característicos e visuais marcantes, criando um mosaico de nacionalidades e técnicas. Até o protagonista, embora não participe oficialmente das lutas, acaba envolvido quando o mestre da guilhotina surge na arena.
Presença maciça de armas
Ao contrário de outros filmes de torneio, como Bloodsport, o confronto não se limita a punhos e chutes. Armas brancas acumulam tempo de tela: bastão de três seções, tonfa com lâmina oculta, dardo de corda, bastão longo e espadas diversas. A própria guilhotina voadora aparece de surpresa para mudar o rumo dos embates.
Violência gráfica antecipou as “fatalities”
Master of the Flying Guillotine exibe um nível de brutalidade incomum para a década de 1970. Competidores têm a cabeça arrancada, olhos perfurados e lâminas cravadas na nuca. Em uma luta específica, ambos os rivais acabam mortos simultaneamente, algo que lembraria no futuro os empates sangrentos do game.
Imagem: Imagem: Divulgação
A ousadia desses “finishers” contribuiu para o status cult do longa e, anos depois, serviria de referência para a assinatura mais famosa de Mortal Kombat: suas finalizações exageradas. Não por acaso, Mortal Kombat: Deception esconde um easter egg direto, dando ao personagem Shujinko uma roupa idêntica à de Fung Chu Wun Chi.
Detalhes de produção e elenco
Produzido por Wong Cheuk-Hon, o filme utiliza coreografias rápidas e criativas, marca registrada dos estúdios da época. O orçamento modesto foi compensado por invenções de câmera e pelos cenários simples, porém funcionais, que reforçam o foco nas lutas.
Jimmy Wang Yu, além de dirigir, protagoniza a história como o Boxeador de Um Braço, enquanto Kam Kong se destaca como o antagonista. A química entre herói e vilão sustenta o clímax, recheado de truques práticos para dar verossimilhança à arma titular.
Ficha técnica resumida
Título original: Master of the Flying Guillotine
Lançamento: 24 de abril de 1976
Duração: 93 minutos
Direção: Jimmy Wang Yu
Elenco principal: Jimmy Wang Yu (One-Armed Boxer) e Kam Kong (Fung Chu Wun Chi)
País: Taiwan
Por que o filme ainda merece atenção
Ao unir diversidade de estilos, uso livre de armas e violência estilizada, Master of the Flying Guillotine encapsula tudo o que se tornaria icônico em Mortal Kombat 16 anos depois. Para quem busca entender as raízes da franquia ou apenas curtir um clássico de kung fu com pegada cult, essa produção de 1976 continua indispensável.
Assistir ou revisitar a obra ajuda a perceber como certas ideias atravessam gerações, ganhando novas roupagens sem perder a essência. Quem curte jogos de luta, filmes de artes marciais ou simplesmente quer ampliar o repertório vai encontrar aqui uma joia que vale cada minuto.
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