Bryan Fuller, conhecido por comandar a série Hannibal, estreia como diretor de cinema com Dust Bunny, longa que mistura fantasia e terror. Em entrevista no Festival de Toronto, o cineasta explicou que a trama foi inspirada em lembranças dolorosas da infância e revelou bastidores curiosos da produção.
No centro da história está Aurora, uma garota de 10 anos que enfrenta um monstro real sob a cama. Ao perder os pais de forma brutal, ela pede ajuda ao vizinho — um assassino de aluguel interpretado por Mads Mikkelsen. A premissa ousada virou um projeto pessoal para Fuller, que também roteirizou a obra.
Da antologia Amazing Stories ao roteiro mais íntimo
Dust Bunny nasceu como um episódio da série antológica Amazing Stories, então desenvolvida com Steven Spielberg. Quando o projeto não avançou, Fuller decidiu transformá-lo em longa-metragem, mantendo apenas o conceito central e levando o enredo para um território mais autobiográfico.
O diretor contou que viveu em “casa complicada” durante a infância. Assim, o medo de Aurora reflete o próprio sentimento de ter um “monstro” dividindo o mesmo teto. Para ele, inserir essa dor no roteiro foi a forma de garantir autenticidade e usar o cinema como catarse.
Influências dos anos 80
Em termos de linguagem, Fuller mirou na estética Amblin, responsável por clássicos como Gremlins, Poltergeist e Os Goonies. O objetivo era resgatar o chamado “horror-porta de entrada”, que mistura ameaça sobrenatural e senso de aventura infantil, mas com uma camada emocional mais densa.
Mads Mikkelsen e Sigourney Weaver reforçam o elenco
A parceria de Fuller com Mads Mikkelsen, iniciada em Hannibal, ganhou novo capítulo quando o diretor apresentou a trama de Dust Bunny na première de Rogue One, em 2016. O ator topou na hora. Anos depois, Sigourney Weaver também entrou no projeto, ampliando a força do elenco.
As gravações aconteceram em um país europeu onde a equipe técnica pouco falava inglês, criando desafios de comunicação. Ainda assim, Fuller descreveu o clima no set como “troupe de teatro antiga”, com todos se apoiando mutuamente para resolver problemas diários.
A busca pela Aurora perfeita
Encontrar a jovem protagonista foi tarefa exaustiva para a diretora de casting Margery Simkin. Milhares de meninas foram analisadas até chegar a doze finalistas. Sophie Sloan, escocesa de forte sotaque, chamou atenção logo de cara — mas a questão da pronúncia podia dificultar a compreensão ao lado de Mikkelsen.
Para conquistar o papel, Sophie passou duas semanas estudando vídeos no TikTok e aprendeu um sotaque norte-americano neutro. Segundo Fuller, o talento da atriz se reflete na “sobriedade” da interpretação, essencial para transmitir o trauma de quem presenciou três assassinatos em sequência.
Detalhes de produção e data de estreia
Dust Bunny tem 106 minutos de duração e estreia nos cinemas em 12 de dezembro de 2025. Além de Mikkelsen, Weaver e Sloan, o elenco conta com participações de nomes ainda não divulgados. A fotografia ficou a cargo de um diretor de imagem experiente em efeitos práticos, reforçando a vibe oitentista.
Imagem: Imagem: Divulgação
A distribuição será focada inicialmente em salas tradicionais, sem previsão de streaming. Para o público do 365 Filmes, vale ficar de olho: Fuller confirmou que criaturas físicas, e não apenas CGI, dominam o terror visual do longa.
Sinopse oficial
Na trama, Aurora descobre que o “bicho-papão” é real quando ele devora seus pais. Determinada a sobreviver, ela entrega objetos da igreja local como pagamento ao vizinho matador. A dupla forma laços inesperados enquanto caça a entidade, apelidada de “coelho de poeira”, numa jornada de redenção mútua.
Reflexões de Fuller sobre TV e cinema
Depois de anos na televisão, Fuller afirmou que “fazer filme é mais fácil” por envolver menor volume de trabalho simultâneo. Mesmo assim, não pretende abandonar séries: já desenvolve novos projetos para a telinha enquanto redige o roteiro de outro longa derivado de ideias descartadas de Amazing Stories.
Entre as inspirações futuras estão títulos do cinema francês como A Cidade das Crianças Perdidas e O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, que liberam “cenas com cores e padrões chamativos” — algo que vê como assinatura estética para seu próximo passo atrás das câmeras.
Sonho de retornar a Hannibal
Questionado sobre uma possível continuação de Hannibal, Fuller explicou que os direitos da franquia estão em processo de unificação após a morte da produtora Martha De Laurentiis. Mikkelsen, Hugh Dancy e todo o elenco demonstraram interesse em voltar, mas qualquer projeto depende de resolver essas questões jurídicas.
O diretor revelou até um desejo específico: adaptar O Silêncio dos Inocentes em minissérie, com Mikkelsen no papel-título e Zendaya como Clarice Starling. Por enquanto, porém, o foco permanece em Dust Bunny e no roteiro de seu próximo filme.
Por que Dust Bunny merece atenção
Mesmo antes da estreia, o longa já chama a atenção pela combinação de terror lúdico e narrativa pessoal. O reencontro entre Fuller e Mikkelsen, a presença de Sigourney Weaver e a abordagem nostálgica prometem conquistar fãs de suspense que cresceram vendo fitas VHS nos anos 80.
Se você procura um filme que misture criaturas assustadoras, laços familiares improváveis e uma camada de emoção genuína, Dust Bunny tem tudo para entrar no seu radar. Resta aguardar dezembro de 2025 para conferir como o “monstro debaixo da cama” vai ganhar vida nas telonas.
