Richard Gere voltou a falar sobre o banimento de Richard Gere no Oscar, punição que durou duas décadas e começou em 1993, depois que o ator criticou a política chinesa para o Tibete durante a cerimônia.
Em entrevista recente, o astro de “Uma Linda Mulher” garantiu que não leva a decisão da Academia para o lado pessoal e reforçou que seu objetivo sempre foi denunciar violações de direitos humanos, não criar inimigos.
O que levou ao banimento de Richard Gere no Oscar
A história começou em 29 de março de 1993, quando Gere subiu ao palco do Teatro Dorothy Chandler Pavilion, em Los Angeles, para apresentar um prêmio. Em vez de apenas anunciar os indicados, ele usou o tempo de discurso para condenar, em rede mundial, as ações do governo chinês contra o povo tibetano.
A fala, vista como fora de protocolo, gerou incômodo na AMPAS (Academy of Motion Picture Arts and Sciences). Nos bastidores, a decisão foi rápida: o ator ficaria afastado das cerimônias por tempo indeterminado, punição que acabou durando 20 anos.
“Não quis ferir ninguém”
Trinta anos depois do episódio, Gere explicou à revista Variety que não guarda ressentimentos. “Eu faço o que acredito ser certo e certamente não pretendo causar dano. Quero prejudicar a raiva, a exclusão e os abusos de direitos humanos, não pessoas”, disse.
Retornos pontuais durante a suspensão
Apesar do veto, Gere apareceu na festa em 2003 porque o musical “Chicago” recebeu várias indicações; ele havia acabado de ganhar o Globo de Ouro pelo longa. A participação foi tolerada sem grande alarde, mas o banimento oficial só terminou em 2013, quando o ator foi convidado como apresentador.
Influência do Dalai Lama na visão de Gere
Amigo próximo do líder espiritual do budismo tibetano, Gere disse que tenta guiar sua postura pública pelo princípio de que “todo mundo é redimível”. Segundo ele, o Dalai Lama costuma enviar bilhetes de parabéns sempre que o ator recebe prêmios, mas os dois quase nunca conversam sobre cinema.
A relação rendeu, inclusive, o documentário “Wisdom of Happiness”, coproduzido por Gere. O filme traz imagens raras da juventude do Dalai Lama. De acordo com o ator, o líder espiritual não gostou de se ver na tela, mas se divertiu ao rever familiares e amigos de infância.
Outros nomes banidos pela Academia
O banimento de Richard Gere no Oscar não foi caso isolado. A AMPAS já expulsou ou suspendeu outras figuras de peso, muitas vezes por acusações mais graves. Confira alguns exemplos:
- Carmine Caridi – 2004 (envolvimento em pirataria de filmes)
- Harvey Weinstein – 2017 (assédio e agressão sexual)
- Bill Cosby – 2018 (condenação por agressão sexual)
- Roman Polanski – 2018 (acusação de estupro de vulnerável)
- Adam Kimmel – 2021 (registro de agressão sexual)
- Will Smith – 2022 (agressão física a Chris Rock durante a cerimônia)
O estalo de Will Smith
O caso mais recente de afastamento envolve Will Smith, banido por 10 anos após esbofetear Chris Rock no Oscar 2022. O incidente chocou o público ao vivo e ofuscou a vitória de Smith como Melhor Ator.
Imagem: Imagem: Divulgação
Carreira segue em frente, apesar da polêmica
Mesmo com duas décadas longe da maior festa do cinema, Gere manteve ritmo constante de trabalho. Estrelou filmes como “Hachiko” e “Norman” e, na TV, participou de “MotherFatherSon”. Para o ator, o banimento de Richard Gere no Oscar serviu mais como motivação para continuar produzindo do que como obstáculo.
“No fim das contas, eu pude falar o que pensava e sigo fazendo filmes e séries”, declarou. A nova fase inclui a turnê promocional de “Wisdom of Happiness”, aposta que combina seu ativismo com a paixão pelo audiovisual.
Ecos na comunidade de novelas e doramas
Embora o foco da controvérsia seja Hollywood, fãs de novelas e doramas, público que acompanha o 365 Filmes, também se interessam pelo tema. Muitos desses títulos abordam questões de censura, liberdade de expressão e defesa de minorias, pontos presentes na história do ator.
Para quem curte dramas asiáticos, a conexão é direta: o discurso de Gere expôs a relação delicada entre as indústrias culturais ocidental e oriental, além de colocar em debate o mercado de distribuição de conteúdos chineses no exterior.
Impacto no mercado internacional
Ao denunciar políticas do governo de Pequim, Gere escancarou entraves que roteiristas, diretores e atores enfrentam para lançar obras críticas ao regime. Doramas sul-coreanos e novelas japonesas, por exemplo, já sofreram boicotes por abordarem temas sensíveis.
O legado do caso Richard Gere
Três décadas depois, o banimento de Richard Gere no Oscar é visto como capítulo emblemático da relação entre a arte e o ativismo. A própria Academia, pressionada por casos mais graves, passou a adotar código de conduta. Hoje, discursos políticos continuam permitidos, desde que não desrespeitem regras de tempo ou decoro, mas a linha divisória segue tênue.
Para Gere, a experiência reforçou a lição do Dalai Lama: “se todos não formos redimidos, nenhum de nós será”. Enquanto isso, o ator segue combinando cinema, ativismo e espiritualidade, certo de que suas escolhas podem inspirar novas histórias — sejam elas exibidas num blockbuster de Hollywood, numa novela ou em um dorama que conquistará o público global.
