Não vou mentir para você, meu querido leitor. Agente Zeta começa muito melhor do que muita estreia recente do Prime Video. A obra entra em cena com mortes simultâneas, uma operação enterrada no passado e aquele clima de espionagem que já te faz pensar que vem algo grande por aí. E, por alguns bons momentos, vem mesmo.
A tal Operação Ciénaga já aparece com cara de segredo podre, daqueles que ninguém quer revisitar porque sabe que a sujeira continua viva. Quatro ex-oficiais ligados a essa missão são assassinados em embaixadas diferentes, ao redor do mundo, e isso já coloca o filme num tom mais sério. Não é só uma investigação. É uma história sobre arquivo mal enterrado voltando para cobrar.
E eu gostei disso logo de cara. Quando o filme apresentou esse ponto de partida, pensei na hora que ele poderia crescer muito se realmente tivesse coragem de mergulhar nesse lado político e diplomático. Porque material para isso existe. O problema é que Agente Zeta escolhe um caminho mais controlado, mais acessível, e menos afiado do que parecia prometer.
A investigação funciona, mas o filme prefere conduzir em vez de desafiar
O personagem de Mario Casas entra exatamente como esse tipo de protagonista pede. Ele é frio, experiente, seguro, mas nunca parece totalmente confortável com o que está recebendo. E isso ajuda bastante, porque o filme entende que um agente assim funciona melhor quando não sabe tudo. O problema é que a história, em vez de usar essa dúvida para bagunçar mais o jogo, prefere ir resolvendo os conflitos com certa pressa.
Zeta recebe a missão de localizar o quinto integrante da operação antes que outras forças façam isso. No papel, parece simples. Na prática, claro, não é. Os relatórios são incompletos, os contatos respondem com medo e cada nova pista traz mais suspeita do que certeza. Só que o roteiro não leva esse caos até o limite. Ele insinua muito, mas complica pouco.
Teve um momento ali no começo da investigação em que eu realmente achei que o filme ia começar a virar a chave. Quando Zeta entende que não está só caçando um homem, mas reconstruindo um passado que foi picotado de propósito, pensei que a história finalmente ia ficar mais pesada. Só que ela prefere seguir em linha reta, sem se perder, sem se arriscar, e talvez sem marcar tanto quanto poderia.
Isso não quer dizer que o filme seja fraco. Pelo contrário. Ele é organizado, tem bom ritmo e consegue manter a atenção do início ao fim. Só que, nesse tipo de suspense, eu gosto quando o roteiro confia mais no desconforto e menos na condução segura. Agente Zeta quer prender, e prende. Mas dificilmente deixa o espectador realmente desequilibrado.
Alfa melhora muito o filme, mas o grande confronto não explode como deveria
Se tem uma coisa que realmente levanta o filme, é a entrada de Mariela Garriga como Alfa. E aqui a história ganha outra energia. Ela não entra como coadjuvante de apoio, entra como força de oposição mesmo. E isso faz bem demais ao longa, porque Zeta sozinho sustentava a trama, mas ainda não fazia o filme vibrar.
Alfa sabe mais do que deveria, chega antes, fecha caminhos, antecipa passos e muda a dinâmica da missão inteira. Isso cria um duelo muito mais interessante do que a simples investigação. Quando ela começa a aparecer com mais força, a sensação é clara: agora o filme encontrou onde a tensão dele realmente mora. Não está só no segredo do passado, mas no choque entre os dois agentes.

E foi justamente aí que eu mais senti falta de ousadia. Porque tem cenas em que tudo parece pronto para o filme subir de nível de verdade. Tem clima, tem rivalidade, tem informação escondida e tem desconfiança de sobra. Mas, de novo, o roteiro segura. Em vez de deixar esse embate crescer até virar algo realmente memorável, ele administra a tensão com cuidado demais.
Ao mesmo tempo, eu entendo por que muita gente vai comprar a proposta do filme. Ele é elegante, tem cara de produção séria, trabalha bem o suspense institucional e não vira bagunça. Além disso, a direção de Dani de la Torre mantém um padrão visual firme, sem deixar a história cair naquele excesso de exposição que cansa em muito thriller de espionagem. Aqui, pelo menos, tudo anda.
Só que a sensação que ficou comigo foi bem clara. Agente Zeta é o tipo de filme que acerta a base, constrói um bom conflito, coloca duas figuras fortes em rota de colisão e ainda assim escolhe não ir tão longe. Ele funciona, entretém e tem presença. Mas também deixa no ar aquela impressão de que havia um filme mais intenso escondido ali dentro.
No catálogo de streaming, Agente Zeta entra como uma opção bem acima da média para quem gosta de espionagem mais limpa, mais política e menos espalhafatosa. Só não espere aquele thriller que vira assunto por dias. Aqui, o impacto existe, mas vem contido demais para realmente explodir.
Agente Zeta
No catálogo de streaming, Agente Zeta entra como uma opção bem acima da média para quem gosta de espionagem mais limpa, mais política e menos espalhafatosa. Só não espere aquele thriller que vira assunto por dias. Aqui, o impacto existe, mas vem contido demais para realmente explodir.
-
NOTA
Este conteúdo foi publicado originalmente no 365Filmes. A reprodução total ou parcial é permitida apenas mediante a citação da fonte, com link direto (dofollow) para o artigo original, garantindo a correta atribuição de autoria e a credibilidade da informação.
Não perca as novidades do 365 Filmes no Google News!



