Alguns filmes de artes marciais marcaram tanto o público que viraram fórmula pronta para produtores em Hong Kong, Taiwan e Japão. Quanto maior o sucesso, maior a fila de imitadores, dispostos a repetir personagens, tramas e até golpes.
Entre os anos 1960 e 1980, cinco longas abriram caminho para franquias inteiras de cópias, sequências não oficiais e remakes descarados. A seguir, veja como cada título plantou uma tendência que dominou as bilheterias e moldou o gênero entre espadas, nunchakus e vinho de arroz.
The One-Armed Swordsman (1967) redefine os filmes de artes marciais
Dirigido por Chang Cheh para o estúdio Shaw Brothers, The One-Armed Swordsman apresentou Jimmy Wang Yu como o espadachim que perde um braço, reaprende a lutar e parte em busca de vingança. O roteiro simples, mas carregado de sequências de treinamento, virou manual de como contar histórias de perseverança no kung fu.
O sucesso foi tão grande que gerou uma enxurrada de derivados. Da original surgiu apenas um capítulo oficial, Return of the One-Armed Swordsman (1969). O restante foi puro oportunismo: The One-Armed Swordswoman, The One-Armed Swordsman Against Nine Killers e até o crossover The One-Armed Swordsman Meets Zatoichi, todos repetindo o herói mutilado com títulos cada vez mais criativos.
Fist of Fury (1972) espalha a febre patriótica no kung fu
Segundo longa de Bruce Lee, Fist of Fury colocou o ator no papel de Chen Zhen, discípulo que retorna ao dojo e encontra o mestre morto, supostamente por rivais japoneses. A trama de confronto entre China e Japão tocou o público em cheio, principalmente pelo carisma de Lee e pela carga nacionalista.
Curiosamente, o filme já bebia em The Chinese Boxer (1970), com Jimmy Wang Yu. Mesmo assim, foi a produção de 1972 que virou objeto de desejo dos imitadores. Vieram Fist of Fury Part II, New Fist of Fury (com Jackie Chan), além de incontáveis longas “Bruceploitation” que escalavam sósias de Lee para repetir a luta de um único homem contra todo um exército invasor.
A lâmina fatal de The Flying Guillotine (1975)
Quando o Shaw Brothers exibiu The Flying Guillotine, o público ficou fascinado com a arma bizarra: um cesto metálico com lâminas que decapitava inimigos à distância. Chen Kuan-tai vive o assassino imperial treinado para usar o aparelho supostamente criado na dinastia Ming.
O êxito gerou uma batalha entre estúdios. A rival Golden Harvest lançou Master of the Flying Guillotine, acendendo uma disputa que resultou em Flying Guillotine 2, Fatal Flying Guillotine, The Vengeful Beauty e outros. Em todos, o ponto alto era ver cabeças voando em coreografias tão sanguinolentas quanto criativas.
Imagem: Imagem: Divulgação
Drunken Master (1978) coloca Jackie Chan no foco mundial
Em 1978, Drunken Master mudou o tom dos filmes de artes marciais ao misturar humor, acrobacias e o peculiar estilo do kung fu bêbado. Chan interpreta Wong Fei-hung, jovem travesso treinado por um mentor alcóolatra vivido por Yuen Siu-tien. O resultado foi um efeito dominó de produções que copiavam golpes cambaleantes e mestres beberrões.
O próprio Yuen voltou em “sequências espirituais” como Dance of the Drunk Mantis e The Story of Drunken Master. A tendência permaneceu firme com títulos como Shaolin Drunkard, 5 Superfighters e Shaolin Drunken Monkey, todos explorando similares combinações de comicidade, treino duro e litros de saquê cenográfico.
Five Deadly Venoms (1978) dá origem ao lendário Venom Mob
Ainda em 1978, o Shaw Brothers lançou Five Deadly Venoms, saga de seis discípulos, cada um perito em um estilo letal de luta. O aluno mais novo precisa descobrir quais colegas viraram vilões para detê-los antes que seja tarde. O enredo simples ganhou força pelo talento do quinteto Lu Feng, Chiang Sheng, Lo Mang, Phillip Kwok e Sun Chien.
O grupo ficou conhecido como Venom Mob e estrelou séries inteiras de aventuras, quase sempre com ao menos dois integrantes em papéis de destaque. Produções como Invincible Shaolin, Crippled Avengers e Kid with the Golden Arm repetiam a fórmula de múltiplos estilos em confronto direto. Até estúdios externos surfaram na onda, lançando The Nine Venoms e Five Venoms Attack para lucrar com o nome já famoso.
Herança viva dos filmes de artes marciais
Esses clássicos provaram que boas ideias viajam rápido pelos estúdios. Cada conceito — do espadachim mutilado ao kung fu bêbado — foi copiado, remixado e exportado, ajudando a firmar o gênero no mundo. Hoje, quem maratona títulos no catálogo do 365 Filmes esbarra em referências diretas a esses pioneiros, sinal de que sua influência segue forte décadas depois.
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