Pai do Ano (título original Goodrich) acaba de chegar ao Prime Video Brasil e aposta em um tipo de história que começa com caos doméstico, mas rapidamente revela algo mais delicado: a dificuldade de reconstruir vínculos quando o tempo já deixou marcas. Com 1h56, a comédia dramática dirigida e roteirizada por Hallie Meyers-Shyer coloca Michael Keaton no centro como um homem que sempre empurrou responsabilidades — até ser obrigado a encará-las de frente.
O ponto de partida é direto e plausível. Andy Goodrich descobre que a esposa, Naomi, decidiu se internar em uma clínica de reabilitação por 90 dias. De um dia para o outro, ele fica sozinho com a missão de cuidar dos gêmeos de nove anos do casal, sem preparo, sem tato e sem rotina. E, como se isso não bastasse, uma dívida pendente na galeria de arte dele torna tudo ainda mais instável, criando uma pressão financeira que atravessa cada tentativa de “virar adulto”.
Confira o trailer:
Do que se trata Pai do Ano: paternidade forçada e um lar em modo improviso
O filme acompanha a transformação prática de Andy, que precisa aprender o básico: horários, escola, alimentação, limites, paciência. O humor surge do improviso e do contraste entre o jeito “autossuficiente” que ele acredita ter e a realidade de cuidar de duas crianças que não esperam. Mas Pai do Ano não fica apenas na graça de situações. Ele usa a bagunça como linguagem para mostrar algo mais incômodo: o quanto Andy sempre esteve ausente, mesmo quando estava por perto.
É por isso que a trama cresce quando Andy procura ajuda na pessoa menos óbvia — e, ao mesmo tempo, na mais necessária. Ele recorre à primogênita Grace (vivida por Mila Kunis), filha do primeiro casamento. A relação dos dois carrega história e ruído. Grace não chega como “salvadora” bonzinha. Ela chega com vida própria, limites e ressentimentos antigos, porque a ausência de Andy na infância dela não foi esquecida, só ficou guardada.
Keaton e Kunis sustentam o drama: mágoas antigas voltam e a relação precisa ser refeita
Quando Grace entra no cotidiano, o filme muda de marcha. O que era crise de rotina vira crise de memória. Velhas mágoas voltam à tona e revelam para Andy o tamanho do vazio que ele deixou na filha. A comédia, então, passa a conviver com um drama bem específico: o de um pai que tenta ser presente agora, mas precisa aceitar que presença não apaga o passado.
O elenco ajuda a segurar esse equilíbrio. Keaton conduz Andy com um tipo de carisma que facilita o humor, mas também permite que o personagem pareça pequeno quando precisa ser. Kunis faz Grace com firmeza e vulnerabilidade, sem transformar a personagem em “instrumento de lição”. E Danny Deferrari completa o entorno, ajudando a dar textura ao mundo do protagonista, onde trabalho, ego e família disputam o mesmo espaço.

No termômetro do público, o filme aparece com nota 6,3 no IMDb, sugerindo uma recepção mais moderada. É o tipo de obra que pode dividir: quem espera uma comédia mais acelerada pode achar o ritmo mais contido; quem gosta de drama familiar com humor na medida tende a se conectar mais. O filme parece apostar menos em grandes reviravoltas e mais em pequenas rupturas — conversas difíceis, gestos atrasados, tentativas imperfeitas.
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No fim, Pai do Ano funciona quando deixa claro que a história não é sobre ser “pai perfeito” em três meses. É sobre reconhecer falhas, tentar reparar o que dá para reparar e aceitar que algumas feridas não fecham rápido. Andy Goodrich não aprende paternidade só com os gêmeos. Ele aprende, principalmente, ao encarar a filha que cresceu sem ele — e ao perceber que reconstruir uma relação é um trabalho tão exaustivo quanto criar uma criança do zero.
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