A aguardada transposição do jogo indie The Mortuary Assistant para as telas chegou aos cinemas tentando repetir o susto que fez sucesso nos computadores. O resultado inicial, porém, não empolgou a crítica: o longa abriu com 36% de aprovação no Rotten Tomatoes, mantendo a recente maré baixa das adaptações de games de terror.
Mesmo sob recepção morna, a produção comandada por Jeremiah Kipp chama atenção pela entrega de Willa Holland no papel principal. A seguir, 365 Filmes destrincha os pontos altos e baixos do filme, passando por atuações, escolhas de direção e seu lugar na atual onda de títulos baseados em videogames.
A estreia problemática de The Mortuary Assistant
Anunciado em 2022, logo depois de o jogo homônimo viralizar na Steam, o filme foi vendido como aposta segura: base de fãs pronta e um conceito eficiente de horror claustrofóbico. As filmagens ocorreram no Missouri e começaram após a confirmação de Willa Holland, contratada em 2025 para viver Rebecca Owens, ex-dependente química que encara o primeiro turno noturno em um necrotério.
Na prática, a recepção foi diferente. Com os 36% no termômetro dos críticos, o longa soma-se a Until Dawn (52%), Return to Silent Hill (abaixo dos 50%) e FNAF2, que amarga 16% entre especialistas. Apenas Iron Lung, dirigido pelo YouTuber Markiplier, escapou desse padrão recente, registrando 60% e se tornando a exceção que confirma a regra.
Atuação de Willa Holland sustenta o terror
Se boa parte dos comentários cita a falta de atmosfera, há consenso em outro ponto: Holland funciona como o coração pulsante da narrativa. A atriz mergulha nas inseguranças de Rebecca, entregando nuances que vão da vulnerabilidade ao desespero absoluto enquanto lida com manifestações demoníacas dentro da funerária.
Não à toa, veículos como HighOnFilms apontaram a intérprete como “o pulso que mantém The Mortuary Assistant vivo”. Desde o remake de Straw Dogs, em 2011, Holland não figurava em um projeto com avaliação tão baixa, mas sua performance ajuda a evitar que o filme entre em colapso completo. Para quem busca detalhes sobre o final impactante do longa, vale conferir a explicação cheia de spoilers já disponível.
Direção e roteiro: onde o filme perde o fôlego
Responsável por coescrever o roteiro ao lado do criador do jogo, Brian Clarke, Jeremiah Kipp foi elogiado pelo próprio Clarke por prezar pela construção de personagens. O problema, segundo críticas, é que a transição do susto interativo para a linguagem cinematográfica não manteve o mesmo nível de tensão.
Imagem: Imagem: Divulgação
Boa parte do tempo, o longa explica minuciosamente as regras da possessão que acomete o necrotério – estratégia útil para quem nunca jogou, mas que dilui o suspense para espectadores mais experientes no gênero. A sensação de repetição pesa, e sequências que deveriam causar calafrios acabam soando mecânicas, como se o filme estivesse apenas “marcando checkpoints”.
O lugar da adaptação no atual cenário de games no cinema
Produtores veem franquias de videogame como porto seguro, mas o tiro pode sair pela culatra quando o público amante do jogo não encontra na telona a mesma adrenalina. The Mortuary Assistant ilustra bem o dilema: jogadores vivem a história no próprio ritmo; no cinema, todos seguem a cadência imposta pela montagem.
Vale lembrar que discrepâncias entre crítica e audiência são comuns. FNAF2, por exemplo, tem 16% entre analistas e expressivos 82% junto ao público. No momento, o longa de Kipp ainda não exibe nota popular, deixando em aberto se o boca a boca gamer poderá reerguê-lo. Enquanto isso, outras adaptações seguem em produção, como o terror slasher comentado em Scream 7, mostrando que Hollywood não pretende largar o controle tão cedo.
Vale a pena assistir a The Mortuary Assistant?
Para quem busca sustos genuínos, The Mortuary Assistant talvez não entregue toda a tensão prometida pelo jogo. Ainda assim, a entrega dramática de Willa Holland e a curiosidade em comparar mídias podem justificar a ida ao cinema. O veredito final dependerá da reação dos fãs, que ainda não carimbaram sua nota no agregador, mas já encontram matéria-prima suficiente para debates sobre o futuro das adaptações de horror.
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