James Van Der Beek ficou eternizado como o protagonista de Dawson’s Creek, mas seu currículo guarda uma participação menos comentada e igualmente marcante: a voz de Pazu na versão em inglês de Castle in the Sky. Gravado em 1998, o trabalho só chegou ao público em 2003, mas continua sendo referência de dublagem quase três décadas depois.
Com a morte do ator aos 48 anos, fãs e críticos voltam os olhos para essa performance que sintetiza a energia juvenil e o senso de aventura do longa dirigido por Hayao Miyazaki. O feito é ainda mais notável porque, na época, adaptações de animes para o inglês sofriam com traduções problemáticas e direção irregular.
A despedida de um ícone televisivo que também brilhou no estúdio de Miyazaki
Van Der Beek alcançou o pico da fama entre o fim dos anos 1990 e o início dos 2000 com a série que definiu o drama adolescente para muita gente. Ao lado dessa exposição televisiva, o ator construiu uma carreira de voz pouco explorada pelo grande público, cuja joia é justamente Castle in the Sky.
A produção da Disney para o mercado ocidental não poupou esforços: escalou Anna Paquin como Sheeta, Cloris Leachman na pele de Dola e Mark Hamill como o vilão Muska. Nesse elenco estrelado, Van Der Beek se destaca por entregar um Pazu seguro, empolgado e com timbre convincente, qualidade que o consagra entre os melhores protagonistas de animação dublados por atores de live-action.
Castle in the Sky: o primeiro ato oficial da Studio Ghibli
Lançado em 1986, Castle in the Sky foi o pontapé inicial do estúdio fundado por Miyazaki e Isao Takahata após o sucesso de Nausicaä of the Valley of the Wind. A trama acompanha Sheeta, garota que cai dos céus protegida por um amuleto, e Pazu, jovem mecânico que sonha encontrar a lendária Laputa, cidade flutuante perdida.
Com 125 minutos de duração, o longa reafirma temas caros ao diretor: pacifismo, fascínio pela tecnologia e respeito à natureza. A combinação de aventura steampunk, humor e emoção transformou o filme em clássico instantâneo. Não à toa, críticos apontam Castle in the Sky como um dos pilares da animação japonesa — e um caso exemplar de roteiro bem estruturado, qualidades que remetem ao domínio narrativo visto em obras como Sicario, de Denis Villeneuve, citado em análise recente no 365 Filmes.
Dublagem de 1998: quando a Disney apostou alto na adaptação de anime
Gravar a versão inglesa em 1998, portanto, representou um passo ousado. Naquele período, a maioria das adaptações chegava às locadoras repleta de cortes, nomes trocados e atuações mecânicas. A Disney, entretanto, investiu pesado em direção de voz, mixagem e elenco de primeira linha.
O resultado supera a média da época: diálogos naturais, tradução fiel e entonações que preservam o carisma dos personagens. Van Der Beek, por exemplo, alterna rapidamente entre empolgação e vulnerabilidade, ilustrando a coragem de Pazu sem soar exagerado. Já Anna Paquin imprime delicadeza a Sheeta, enquanto Mark Hamill — habitual no universo de Star Wars — entrega um antagonista frio e imponente.

Imagem: Evan D
Como James Van Der Beek construiu um Pazu inesquecível
A composição vocal do ator chama atenção pelos detalhes. Ao optar por um tom levemente rouco, ele adiciona maturidade ao personagem de 13 anos sem comprometer a jovialidade. Pequenas pausas nas falas reforçam a atitude proativa de Pazu, sempre pronto para defender Sheeta ou contestar os vilões.
Além disso, Van Der Beek reforça os momentos de vulnerabilidade com respirações audíveis, algo raro em dublagens de então. Essa escolha oferece profundidade emocional, característica valorizada em demais produções do estúdio — vide a performance de Daveigh Chase em A Viagem de Chihiro ou Christian Bale em O Castelo Animado.
Cabe lembrar que o ator gravou suas falas em Nova York, paralelamente às filmagens de Dawson’s Creek. Mesmo com agenda apertada, não há sinais de improviso apressado ou leitura mecânica. Ao contrário: o timing cômico está afinado, e os gritos de ação soam naturais, mérito da direção de dublagem que soube canalizar a versatilidade de Van Der Beek.
Vale a pena revisitar Castle in the Sky?
Quase quatro décadas depois do lançamento original, Castle in the Sky continua entre as produções favoritas de especialistas e cinéfilos. A dublagem comandada por James Van Der Beek surge como ponto alto, tornando a versão em inglês uma porta de entrada acessível a quem não está familiarizado com o idioma japonês.
O filme de Hayao Miyazaki mantém frescor visual, narrativa ágil e trilha sonora inesquecível. Quando somados à entrega vocal de um elenco estrelado, os elementos criam uma experiência que atravessa gerações — reforçando o legado tanto da Studio Ghibli quanto do próprio Van Der Beek.
Para o público que busca uma aventura animada rica em imaginação, emoção e personagens cativantes, Castle in the Sky segue sendo escolha certeira. A atuação de Van Der Beek apenas potencializa a jornada, garantindo que o longa permaneça, mesmo após 40 anos, “intocável” no panteão dos clássicos da animação.
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