Sabe aquele tipo de filme que você começa a assistir e se pergunta como ninguém barrou a ideia antes? A Morte de um Unicórnio é exatamente essa experiência. A comédia sombria de Alex Scharfman, recém-chegada ao Prime Video, parte de uma premissa tão absurda quanto fascinante. Eu confesso que assisti esperando algo no estilo indie excêntrico da A24, mas encontrei um híbrido esquisito entre sátira corporativa e um episódio de Black Mirror que tomou um rumo inesperado.
A trama nos apresenta Elliot (Paul Rudd) e sua filha Ridley (Jenna Ortega) em uma viagem para um retiro de gerenciamento de crise. No meio da pressa, eles atropelam um unicórnio. Em vez de buscarem ajuda, decidem levar o cadáver para o retiro do chefe de Elliot, Dell Leopold (Richard E. Grant), um CEO farmacêutico podre de rico. O que se segue é uma exploração grotesca sobre a ganância humana, onde o sangue e o chifre da criatura viram mercadorias valiosas para uma indústria sedenta por lucro.
O talento de Jenna Ortega e Paul Rudd contra o roteiro bizarro de A Morte de um Unicórnio
Se algo segura as pontas nessa loucura, é o elenco de peso. Paul Rudd entrega aquele carisma de pai atrapalhado, mas com uma camada de desespero moral inédita. Jenna Ortega, por sua vez, confirma por que é a queridinha do momento.
Sua personagem, Ridley, é a bússola ética do filme, reagindo com o horror necessário enquanto os adultos perdem qualquer traço de humanidade diante da possibilidade de monetizar a carne mágica. É a dinâmica entre os dois que evita que o espectador desista da obra nos primeiros minutos.
Nós do 365 Filmes notamos que o filme brilha quando foca na sátira contra a indústria farmacêutica. A família Leopold representa o que há de pior no capitalismo: a transformação do sagrado em lucro líquido. A busca por uma “pílula da imortalidade” extraída de um cadáver místico é uma metáfora poderosa, mas que infelizmente se perde em meio a subtramas que não levam a lugar nenhum e a um ritmo que oscila drasticamente entre o suspense e a piada.
O problema do CGI
Aqui precisamos falar sobre o grande ponto fraco que prejudica a imersão: os efeitos visuais. Mesmo entendendo que se trata de uma comédia sombria e que o tosco pode ser proposital, o CGI de A Morte de um Unicórnio é simplesmente mal executado.
Em pleno 2026, é difícil aceitar uma criatura mágica que parece ter saído de um videogame antigo. Parece que o orçamento foi todo gasto nos cachês de Paul Rudd e Jenna Ortega, deixando as migalhas para a equipe de pós-produção.
Essa deficiência técnica quebra a tensão nos momentos em que deveríamos estar maravilhados ou horrorizados. Quando os cientistas realizam experimentos no corpo, o impacto deveria ser visceral, mas soa artificial. É uma pena, pois a direção de arte cria uma atmosfera de isolamento eficiente, que acaba sendo sabotada toda vez que o elemento mágico precisa interagir com o cenário de forma mais direta.
Consequências mortais e o peso do veredito
Conforme a família Leopold explora o animal, eventos sobrenaturais começam a se manifestar. O roteiro de Scharfman busca mostrar que a natureza sempre cobra seu preço, mas as consequências parecem apressadas. As indicações em festivais como Sitges e SXSW mostram que havia uma intenção artística elevada, mas a indicação de “Pior Filme do Ano” por algumas associações de crítica evidencia que a execução passou longe de ser uma unanimidade.
No final das contas, o filme tenta abraçar o mundo e acaba se perdendo. Ele quer ser engraçado, suspense e crítica social ao mesmo tempo. A jornada termina de forma abrupta, deixando uma sensação de vazio. É uma obra que será lembrada mais pela sua premissa inacreditável do que pela qualidade da história, servindo como um alerta de que bons atores não salvam um filme sem uma base técnica sólida.

Veredito: Vale a pena assistir?
A Morte de um Unicórnio é uma experiência divisiva recomendada apenas para quem tem um gosto específico por bizarrices cinematográficas. É o tipo de filme que gera ótimas discussões, mas que pode ser frustrante durante a exibição.
Nos pontos positivos, as atuações de Paul Rudd e Jenna Ortega são o ponto alto, trazendo humanidade para uma trama caótica. A sátira à ganância corporativa é afiada e proporciona os melhores diálogos do longa. A atmosfera de isolamento e a premissa original também ganham pontos pela ousadia artística.
Por outro lado, o CGI mal feito é um balde de água fria constante, prejudicando a imersão em uma história que depende do fantástico. O roteiro é irregular, com um tom que não se decide entre a comédia e o horror, e a nota baixa no IMDb (5.7) reflete a dificuldade do público em se conectar com a proposta. No fim, falta equilíbrio técnico para sustentar a ideia.
A Morte de um Unicórnio
Nos pontos positivos, as atuações de Paul Rudd e Jenna Ortega são o ponto alto, trazendo humanidade para uma trama caótica. Por outro lado, o CGI mal feito é um balde de água fria constante, prejudicando a imersão em uma história que depende do fantástico.
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Ruim
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