A rotatividade do catálogo da Netflix costuma surpreender até o espectador mais atento. Desta vez, cinco produções emblemáticas atravessam a porta de saída no domingo, 1º de fevereiro de 2026, deixando um vazio para quem adia a sessão de cinema em casa.
A lista reúne dois ganhadores do Oscar, um marco da comédia romântica de ação, um terror que redefiniu o subgênero zumbi e um clássico absoluto da ficção científica. Confira abaixo como cada título se destaca pelo elenco, direção e roteiro — e por que vale separar a pipoca antes que o relógio zere.
Parasita: crítica social e atuações milimétricas
Dirigido e coescrito por Bong Joon Ho, Parasita não conquistou o Oscar de Melhor Filme em 2020 por acaso. A orquestração entre roteiro e direção cria um tabuleiro onde cada movimento dos atores altera a dinâmica de classe que sustenta a narrativa. Song Kang-ho lidera o elenco com uma presença contida, capaz de transmitir ambição e frustração apenas com o olhar.
A família Kim — formada ainda por Jang Hye-jin, Choi Woo-shik e Park So-dam — funciona como uma engrenagem, refletindo o tônus de uma sociedade marcada por disparidades. Já o clã Park, sobretudo graças à elegância distraída de Cho Yeo-jeong e Lee Sun-kyun, dá a volta completa no espelho social proposto pelo diretor. A precisão na construção de personalidade faz com que até pequenos gestos carreguem tensão, humor e crítica em doses iguais. Resultado: um thriller dramático que se sustenta pela atuação antes mesmo das reviravoltas do texto.
Sr. & Sra. Smith: química explosiva de Jolie e Pitt
Lançado em 2005, Sr. & Sra. Smith consolidou Angelina Jolie e Brad Pitt como um dos pares mais carismáticos dos anos 2000. Sob a batuta de Doug Liman, os atores exploram timing cômico e entrega física em igual proporção. O diálogo afiado de Simon Kinberg traz ritmo de screwball clássico, enquanto as sequências de ação servem de terreno fértil para a dupla testar sua sintonia.
Não por acaso, a química entre Jolie e Pitt é frequentemente usada como referência para comparar casais que equilibram romance e pancadaria no cinema. A leveza com que o filme aborda temas de confiança e identidade torna a produção um ponto fora da curva dentro do subgênero “espionagem romântica”. Até bombas no quintal parecem acontecer no tempo exato para que os protagonistas troquem farpas espirituosas — mérito tanto do elenco quanto do ritmo de montagem.
Feitiço do Tempo: Bill Murray e o looping que nunca envelhece
Em Feitiço do Tempo, Bill Murray encarna o meteorologista Phil Connors com uma mistura de sarcasmo e vulnerabilidade. O ator encontra nos diálogos de Danny Rubin e na direção elegante de Harold Ramis o ambiente ideal para demonstrar camadas que se revelam a cada repetição do dia 2 de fevereiro. Sem depender de efeitos especiais sofisticados, o longa sustenta a narrativa no carisma do protagonista.
Andy MacDowell oferece contraponto perfeito, fugindo do estereótipo de interesse romântico inerte. Ela cria tensão emocional suficiente para impulsionar o arco de redenção de Murray. A dinâmica do looping temporal ecoa discussões filosóficas que, anos depois, inspirariam produções como Inception — cujo desfecho, disponível em análise detalhada, desafia lógica semelhante. A diferença é que, aqui, o tom de comédia familiar transforma a jornada em experiência leve, mas não menos reflexiva.
Terror e ficção científica: 28 Dias Depois e O Exterminador do Futuro
Separados por quase duas décadas, 28 Dias Depois e O Exterminador do Futuro compartilham um elemento fundamental: ambos redefiniram seus gêneros a partir de visões autorais fortes. No primeiro, Danny Boyle adota câmera nervosa e fotografia granulada para transmitir urgência. Cillian Murphy, em um de seus papéis de virada, dosa fragilidade e determinação, conduzindo o espectador por uma Londres pós-apocalipse que soa mais real justamente pelo uso de locações vazias ao amanhecer.
Imagem: Imagem: Divulgação
O roteiro de Alex Garland dribla clichês de zumbi ao enfatizar o impacto psicológico do isolamento. A ausência de grandes trilhas épicas dá espaço para ruídos ambientais que ampliam o terror íntimo. O resultado influenciou todo um leque de séries e filmes de infecção viral, tornando esta produção ponto de estudo obrigatório para fãs do gênero.
No outro extremo, O Exterminador do Futuro, sob direção de James Cameron, aposta em construção quase mitológica. Arnold Schwarzenegger entrega seu desempenho mais icônico ao imprimir fisicalidade robótica sem sacrificar nuances mínimas — um movimento de pescoço, um olhar frio são suficientes para convencer sobre a ameaça. Linda Hamilton, por sua vez, molda Sarah Connor com evolução palpável, saindo de garçonete assustada para símbolo de resistência.
A colaboração de Cameron com o produtor e co-roteirista Gale Anne Hurd garante ritmo implacável. Cada perseguição carrega peso narrativo, e a trilha de Brad Fiedel sintetiza o conflito homem-máquina em batidas metálicas. O impacto cultural do longa reverbera em franquias contemporâneas e até em discussões sobre inteligência artificial, tornando-o a peça de ficção científica mais influente a abandonar o catálogo neste fim de semana.
Vale a pena correr para assistir?
Os cinco filmes deixam a Netflix ao mesmo tempo, mas oferecem experiências distintas. Quem busca densidade dramática encontra em Parasita uma combinação de crítica social e atuações afinadíssimas. Para noites de descontração, Sr. & Sra. Smith entrega humor e ação com química de sobra, enquanto Feitiço do Tempo prova que looping temporal pode ser tão aconchegante quanto imprevisível.
Fãs de terror ganham em 28 Dias Depois um estudo de personagem dentro do caos, com performances cruas e direção inventiva. Já O Exterminador do Futuro permanece obrigatório para qualquer amante de ficção científica graças ao impacto de Schwarzenegger e à visão de Cameron. Em comum, todos revelam como elenco, roteiro e direção podem elevar gêneros diferentes a novos patamares.
Com a saída programada para domingo, 1º de fevereiro, estes títulos reforçam a velha máxima: quem vacila na fila do streaming perde a sessão. 365 Filmes acompanhará a renovação do catálogo, mas, até lá, o conselho é simples — aperte o play enquanto ainda dá tempo.
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