O suspense sobrenatural Black Phone 2 mal chegou ao catálogo da Peacock e já se transformou no filme mais visto da plataforma nos Estados Unidos. Desde 16 de janeiro, a continuação de 2025 ocupa o primeiro lugar no Top 10 por nove dias seguidos, superando pesos-pesados como a franquia Jogos Vorazes e animações de apelo familiar.
O feito consolida a presença de Ethan Hawke entre os grandes vilões do terror recente e mantém o interesse do público na trama dos irmãos Finney e Gwen, que agora investigam os primeiros crimes do temido Grabber. A seguir, analisamos as razões por trás do sucesso, com foco nas atuações, na condução de Scott Derrickson e no roteiro que amplia a mitologia apresentada em 2022.
Sucesso estrondoso no streaming e números de bilheteria
Lançado nos cinemas norte-americanos em 17 de outubro de 2025, Black Phone 2 custou US$ 30 milhões e faturou US$ 132 milhões mundialmente. A marca fica abaixo dos US$ 161 milhões obtidos pelo original, mas, ainda assim, garante retorno confortável à Blumhouse e reforça o potencial de franquia.
No streaming, o desempenho é ainda mais expressivo. De acordo com levantamento da FlixPatrol, o longa ocupa o topo da Peacock há mais de uma semana, à frente de Shrek para Sempre, Meu Malvado Favorito e de toda a maratona de Jogos Vorazes. A combinação de terror, nostalgia oitentista e clima de acampamento de inverno parece dialogar com o mesmo público que faz de produções como The Wrecking Crew um sucesso no Prime Video — produtoras diferentes, mas audiência faminta por entretenimento sem descanso.
Atuações: Ethan Hawke retorna mais ameaçador e jovens crescem em cena
Ethan Hawke reassume o papel do Grabber com uma energia quase teatral, modulando a voz e o corpo para transmitir perversidade mesmo debaixo da máscara rachada. O ator evita exageros e constrói um vilão que convence pelo olhar, pelo silêncio e pelos pequenos gestos, provando por que se tornou um dos nomes mais respeitados do gênero.
Mason Thames (Finney) e Madeleine McGraw (Gwen) exibem evolução notável desde o primeiro filme. Thames abandonou a ingenuidade inicial para mostrar resiliência, enquanto McGraw entrega momentos de vulnerabilidade que equilibram o tom sombrio do roteiro. Miguel Mora, antes visto como Robin, surge agora como Ernesto, seu irmão, e injeta descontração sem comprometer a tensão, já que a relação entre os garotos traz leveza e empatia ao público.
Entre os coadjuvantes, Demián Bichir se destaca como o diretor do acampamento, oferecendo uma presença paternal que contrasta com a ameaça constante do Grabber. Jeremy Davies e James Ransone repetem papeis, mantendo coerência com o universo original e fornecendo pistas sobre traumas que ainda ecoam.
Direção afiada de Scott Derrickson e roteiro alinhado ao horror contemporâneo
Scott Derrickson volta a assumir a cadeira de diretor e, como de costume, coescreve o roteiro ao lado de C. Robert Cargill. O cineasta investe em planos longos e iluminações de cor fria para reforçar a sensação de isolamento no acampamento coberto de neve. O design de som amplifica cada rangido de porta e sopro do vento, recurso essencial para sustentar o medo sem recorrer a sustos fáceis.
O texto mergulha no passado do Grabber, desenvolvendo a origem dos fantasmas que agora assombram Finney e seus amigos. O terror, portanto, não vem apenas da figura mascarada, mas também da culpa coletiva de uma comunidade que preferiu o silêncio. Essa abordagem, alinhada ao uso de trauma como motor narrativo, dialoga com tendências de horror psicológico vistas em títulos que exploram debates históricos, como Once Upon a Time in Harlem.
Imagem: Imagem: Divulgação
Embora mais ambicioso, o roteiro mantém estrutura enxuta: 114 minutos que equilibram investigação, cenas de perseguição e momentos de pausa para construção de personagem. O espectro de violência infantil nunca é gratuito; Derrickson prefere insinuação a gore, confiando na imaginação do espectador.
Recepção crítica e comparação com o filme original
No Rotten Tomatoes, Black Phone 2 ostenta 72% de aprovação dos críticos, ligeira queda frente aos 81% de seu antecessor. Entre o público, a taxa chega a 83%, contra 88% do primeiro capítulo. A diferença, porém, não impede que a sequência seja apontada como complemento satisfatório à história de 2022.
Críticos elogiam a forma como o longa trata as consequências emocionais do sequestro vivido por Finney, evitando colocar os personagens em perigo apenas por conveniência de roteiro. A tensão cresce a partir de escolhas realistas — correr na neve, quebrar janelas, arriscar a própria segurança —, e cada decisão tem impacto visível no corpo e na mente dos protagonistas.
Entre as poucas ressalvas, destaca-se o ritmo do segundo ato, quando a investigação no acampamento substitui o ambiente claustrofóbico do porão original. Alguns espectadores sentem falta da urgência que permeava cada ligação telefônica no primeiro filme, embora o novo cenário permita à fotografia expandir a paleta de cores e brincar com contrastes entre a brancura da neve e o preto da máscara do Grabber.
Vale a pena assistir Black Phone 2?
Para quem busca terror com atmosfera retrô, bom desenvolvimento de personagens e a performance magnética de Ethan Hawke, Black Phone 2 cumpre o prometido. O filme avança a história sem perder a mão nas referências e entrega cenas de arrepiar, suficientes para manter o espectador ligado do início ao fim. Se o original impactou pela originalidade do telefone na parede, a continuação prova que o silêncio — e a neve — podem ser ainda mais assustadores.
Seguindo a linha editorial do 365 Filmes, fica claro que a sequência consolida o Grabber como um novo ícone do gênero e confirma Scott Derrickson como um diretor capaz de equilibrar susto e substância. Black Phone 2 já tem lugar garantido na lista de maratonas de fim de semana — e, pelos números de streaming, não deve sair tão cedo dos holofotes.
Este conteúdo foi publicado originalmente no 365Filmes. A reprodução total ou parcial é permitida apenas mediante a citação da fonte, com link direto (dofollow) para o artigo original, garantindo a correta atribuição de autoria e a credibilidade da informação.
Não perca as novidades do 365 Filmes no Google News!



