O documentário The New Yorker at 100, produção original da Netflix, desembarca na plataforma em 5 de dezembro de 2025 prometendo retratar um século de história da revista mais cultuada do jornalismo americano. Dirigido por Marshall Curry, o filme mescla bastidores da edição comemorativa de fevereiro de 2025, depoimentos de estrelas da TV e do cinema e vasto material de arquivo sobre reportagens icônicas.
Embora seja irresistível para quem já acompanha a publicação, o longa é mais festivo do que investigativo. Com 96 minutos, o documentário The New Yorker at 100 mantém os holofotes na aura intelectual da revista, mas raramente levanta questões incômodas sobre sua trajetória elitista ou métodos editoriais. Ainda assim, vale a espiada, sobretudo para o público do 365 Filmes que curte mergulhos nos bastidores da mídia.
Quem participa do documentário The New Yorker at 100
Para reforçar o clima de homenagem, Curry escala um elenco de nomes conhecidos que declaram amor eterno à publicação. A narração fica a cargo da atriz Julianne Moore, enquanto Jon Hamm (Mad Men), Sarah Jessica Parker (Sex and the City) e Jesse Eisenberg dividem a tela com o humorista Ronny Chieng, a comediante Aparna Nancherla, o stand-up Nate Bargatze e a eterna musa dos anos 80 Molly Ringwald.
Os depoimentos giram, em geral, em torno de uma mesma ideia: “a revista é incrível, não é?”. Há pouco espaço para discordâncias, mas sobra entusiasmo ao lembrar reportagens marcantes. Quem curte acompanhar novelas e doramas vê neste desfile de celebridades um atrativo extra, ainda que o foco seja o jornalismo.
Fatos históricos destacados
Mesmo com a abordagem laudatória, o documentário The New Yorker at 100 relembra momentos-chave: o bombástico texto de John Hersey sobre Hiroshima, em 1946; os trechos de Silent Spring, de Rachel Carson, em 1962, que impulsionaram o movimento ambientalista; e a publicação de In Cold Blood, de Truman Capote, marco do true crime.
Outra curiosidade exposta é o rigor quase obsessivo do departamento de checagem, comparado por ex-funcionários a uma “colonoscopia editorial”. O filme ainda mostra tradições internas, como exercícios de calistenia praticados por uma editora de charges para aliviar a rotina diante da escrivaninha.
A construção da edição centenária
Grande parte da narrativa acompanha a preparação da edição dupla de 100 anos, lançada em fevereiro de 2025. As câmeras acompanham reuniões de pauta, debates sobre capas e conversas sobre o tom a adotar em tempos politicamente conturbados. Uma sequência destaca a dificuldade de cobrir o comício de Donald Trump no Madison Square Garden, em 2024, evento que relembrou a reunião nazista do Bund no mesmo local, em 1939.
Apesar de flertar com a autocrítica, o filme prefere reafirmar que The New Yorker “age acima da concorrência”, sem esmiuçar dilemas internos. A frase-chave documentário The New Yorker at 100 se repete nas discussões do staff, sempre ressaltando a importância do produto final para o mercado editorial mundial.
Imagem: Imagem: Divulgação
Origem e evolução da revista
Fundada em 1925 por Harold Ross para um público de “sofisticados de Manhattan” – e não para as “senhorinhas de Dubuque”, como o próprio editor brincava –, a revista atraiu leitores mundo afora com suas crônicas extensas, ensaios políticos afiados e charges enigmáticas. Eustice Tilly, mascote de cartola e monóculo, nasceu como piada interna que acabou virando símbolo de prestígio.
Hoje, mesmo acusada de elitismo, a publicação mantém influência global e um rigor editorial que virou referência. O documentário The New Yorker at 100 celebra exatamente esse prestígio, embora sem questionar como a revista lida com a pressão por audiência na era digital.
Dados técnicos da produção
• Título original: The New Yorker at 100
• Gênero: Documentário
• Direção: Marshall Curry
• Duração: 96 minutos
• Estreia na Netflix: 5 de dezembro de 2025
O documentário The New Yorker at 100 surge como parte de um pacote multimídia que inclui coletânea de ficção histórica e mostra de filmes no Film Forum, em Nova York. Ao reunir tantos conteúdos, a revista reafirma sua relevância cultural – e a Netflix, por sua vez, garante audiência junto ao público que já se identifica com a marca.
Vale assistir?
Se a intenção é obter uma análise profunda sobre a influência sociopolítica da revista, o longa pode soar superficial. Ainda assim, o documentário The New Yorker at 100 compensa pela fartura de imagens de arquivo, curiosidades de redação e depoimentos apaixonados. Para fãs de bastidores de mídia, trata-se de um registro elegante, mesmo que mais próximo de um brinde de aniversário do que de uma investigação jornalística.
Com ritmo ágil, cenas de arquivo bem selecionadas e celebridades em tom de celebração, a produção é “digestível” e pode servir de porta de entrada para quem ainda não folheou a publicação. Para leitores veteranos, será um passeio nostálgico pelas páginas que moldaram a imprensa literária, deixando a sensação de que ainda há histórias mais complexas a serem contadas.
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