Jodie Foster voltou aos holofotes durante o Festival Internacional de Cinema de Marrakech ao receber o Tribute Award. Entre agradecimentos e lembranças, a vencedora de dois Oscar aproveitou para comentar sobre os rumos do audiovisual nos Estados Unidos.
A atriz comparou o alcance das salas de cinema e das plataformas on-demand, citando diretamente Killers of the Flower Moon, novo épico de Martin Scorsese com 93 % de aprovação no Rotten Tomatoes. Para ela, a história baseada nos assassinatos de membros da nação Osage merecia o formato seriado.
Streaming versus telona: visão de Foster
Na conversa com jornalistas, Foster afirmou que a “narrativa real” migrou para o streaming. Segundo ela, filmes exibidos nos multiplex americanos hoje se concentram em grandes franquias de super-heróis, enquanto conteúdos mais profundos estariam conquistando o público pelas plataformas digitais.
“Séries permitem contar histórias de oito horas ou cinco temporadas”, disse a intérprete, lembrando que, nesse ambiente, é possível explorar “cada ângulo” sem a limitação de tempo de um longa. O pensamento ganhou força após sua participação em True Detective: Terra Noturna, quarto ciclo da antologia policial da HBO.
Por que Killers of the Flower Moon poderia ser uma série
Killers of the Flower Moon, roteirizado por Eric Roth e pelo próprio Scorsese, dura cerca de três horas e meia e retrata os crimes ocorridos na década de 1920, quando petróleo foi descoberto em terras indígenas. Foster acredita que o tempo de tela do filme favoreceu os personagens Ernest Burkhart (Leonardo DiCaprio) e William King Hale (Robert De Niro), relegando as vítimas Osage a um espaço menor.
“Se existisse uma minissérie de oito episódios, seria possível dedicar um capítulo inteiro à vivência da comunidade nativa antes das mortes”, explicou. Para ela, esse formato diminuiria a dominância da dupla masculina e traria “equilíbrio” entre as perspectivas.
Episódios para cada ponto de vista
A atriz sugeriu ainda que a toxicidade dos protagonistas poderia ocupar um episódio separado, liberando outras parcelas da narrativa para destacar figuras como Mollie Burkhart (Lily Gladstone). Assim, diz Foster, o espectador entenderia de forma mais abrangente o impacto dos crimes na cultura Osage.
Recepção crítica e questionamentos sobre foco narrativo
Mesmo com a elevada aprovação na crítica, algumas análises publicadas após a estreia reclamaram da extensão do longa e da atenção limitada a personagens indígenas. A própria Gladstone, cujo desempenho é destaque, aparece em menos cenas do que os conterrâneos de Hollywood.
Imagem: Imagem: Divulgação
Muitos críticos indicaram que o mesmo material renderia um estudo de caráter amplo se expandido para o modelo seriado. Foster reforçou esse raciocínio ao afirmar que “havia tempo” para aprofundar as histórias, mas o cinema acabou reduzindo essa janela.
Relação de longa data com Scorsese
Jodie Foster e Martin Scorsese se conhecem desde Taxi Driver (1976), quando ela tinha apenas 12 anos. No evento em Marrakech, o diretor enviou um vídeo surpresa elogiando a premiada carreira da atriz e lembrando da “influência” que ela já exercia ainda criança no set.
O carinho é recíproco, mas nem por isso impede divergências. Enquanto Scorsese segue defensor convicto da experiência em sala de cinema, Foster acredita que cineastas podem “abraçar ainda mais” o streaming. Ela recordou Vinyl, série dramática criada pelo diretor em 2016, como exemplo de que seu estilo se adapta bem ao formato televisivo.
Cinemas para épicos, streaming para detalhamento
Na avaliação da atriz, muitos realizadores continuam preferindo filmar produções de quatro ou cinco horas e exibi-las como longas, quando poderiam transformá-las em séries com melhor distribuição de informações. “Por que insistir em colocar tudo no cinema?”, questionou.
Impacto no debate sobre duração de filmes
A fala de Foster chega em momento em que a indústria discute o retorno financeiro dos blockbusters estendidos. O público de 365 Filmes, acostumado a maratonar novelas e doramas, sabe que histórias longas podem ser mais palatáveis quando divididas em capítulos que cabem no dia a dia.
Assim, a observação da atriz reacende temas como ritmo, acessibilidade e diversidade de vozes, sem invalidar a liberdade criativa de diretores que preferem o cinema tradicional. Para Foster, a questão central é a escolha do formato que melhor serve à narrativa — e, no caso da trama da nação Osage, ela acredita que a resposta está no controle remoto.
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