Quando se fala em Clint Eastwood, muitos lembram imediatamente dos faroestes clássicos ou do policial durão Dirty Harry. Porém, o maior sucesso de bilheteria do astro não pertence a nenhuma dessas fases.
O campeão de rendimentos foi a comédia “Every Which Way but Loose”, de 1978, na qual Eastwood divide a cena com um orangotango chamado Clyde. A produção desbancou todas as outras obras do ator e diretor, mesmo após ajuste de inflação.
O filme mais bem-sucedido de Clint Eastwood veio da comédia
Lançado em 1978, “Every Which Way but Loose” apresenta Eastwood no papel de Philo Beddoe, caminhoneiro que complementa a renda em lutas de boxe sem luvas pelas estradas da Califórnia. Apesar do protagonista carismático, a atração principal acabou sendo Clyde, interpretado pelo orangotango Manis.
Com orçamento estimado em US$ 5 milhões, o longa arrecadou US$ 104,3 milhões nos cinemas norte-americanos. Ajustando para a inflação, o valor corresponde a aproximadamente US$ 504,1 milhões atuais, enquanto o custo de produção saltaria para algo em torno de US$ 24,1 milhões. Nenhum outro título alcançou cifras tão altas na filmografia do astro — nem mesmo “Magnum Force”, o Dirty Harry mais rentável, que chegaria a cerca de US$ 284 milhões corrigidos.
Parceira improvável: Clint Eastwood e o orangotango Clyde
A curiosa dupla formou o coração da história, transformando o longa em uma buddy comedy recheada de confusões. Na época, Eastwood confidenciou que inicialmente recebeu alertas sobre a força do animal. Ainda assim, descreveu Manis como um “bebezão” de comportamento dócil, chegando a brincar que um “gole de cerveja” bastava para deixar o parceiro “bem relaxado”.
O desempenho de Manis agradou tanto que o próprio Eastwood o classificou como um “ator nato”. Para a sequência, “Any Which Way You Can”, de 1980, um segundo orangotango foi escalado, já que Manis havia crescido demais para repetir o papel.
Polêmicas nos bastidores sobre maus-tratos
Apesar do tom leve do filme, surgiram denúncias anos depois sobre supostos maus-tratos aos animais envolvidos nas gravações. A organização PETA produziu um documentário acusando a equipe de abusos, mas não apresentou provas conclusivas.
O livro “Visions of Caliban”, de Dale Peterson e Jane Goodall, também citou possíveis agressões, direcionando-as ao orangotango Buddha, usado no segundo longa. Mesmo assim, as alegações permanecem contestadas por pessoas ligadas à produção.
Hollywood tenta reviver a fórmula desde 2017
O êxito comercial levou o diretor original, James Fargo, a buscar uma nova versão em 2017. Segundo entrevistas da época, Fargo teria escolhido o cineasta Anthony Cohen para comandar a possível refilmagem, considerando-o adequado após assistir a “The Sex Trip”.
Imagem: INSTARs
Desde então, porém, não houve avanços concretos. Além das preocupações atuais com o uso de animais em set, Clint Eastwood raramente aceita participações especiais e Fargo, hoje com 87 anos, não dirige desde 2011. Por ora, o projeto segue apenas na fase de conversas.
Impacto na carreira do ator e no mercado de cinema
O filme mais bem-sucedido de Clint Eastwood prova que o público reage bem a surpresas, mesmo quando um grande nome se distancia de seu gênero habitual. A comédia leve, impulsionada pela química entre humano e primata, superou as fronteiras do faroeste e do policial, atraindo espectadores que talvez nunca tivessem assistido a um filme do astro.
No catálogo do 365 Filmes, “Every Which Way but Loose” continua chamando atenção justamente por apresentar esse contraste: um ícone de papéis sérios mergulhando em uma história despretensiosa e popular.
Comparativo de bilheterias e relevância cultural
Dirty Harry versus Clyde
A franquia Dirty Harry é lembrada como a mais emblemática da carreira de Eastwood, mas seu maior capítulo, “Magnum Force”, gerou pouco mais da metade da receita ajustada conquistada pela aventura com o orangotango. Esse dado reforça como a surpresa pode superar expectativas até mesmo em trajetórias consagradas.
O legado da produção
Ainda que a crítica da época não tenha sido generosa, o longa transformou-se em clássico cult. Para fãs, a obra oferece um retrato raro de Eastwood em tom cômico, algo que vale conferir para entender a versatilidade do ator.
Quase meio século depois, o filme mais bem-sucedido de Clint Eastwood permanece insuperável no quesito arrecadação, lembrando à indústria que, às vezes, basta uma dupla improvável para conquistar o público.
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