Catherine O’Hara, estrela canadense que redefiniu o humor em várias gerações, faleceu aos 71 anos em sua residência na última sexta-feira, 30 de janeiro. A notícia mobilizou colegas de set, cineastas e roteiristas que prontamente tornaram públicas as lembranças de uma artista descrita como “singular” pela comunidade hollywoodiana.
Conhecida por papéis icônicos em Beetlejuice, Esqueceram de Mim e, mais recentemente, Schitt’s Creek, O’Hara foi celebrada por nomes como Michael Keaton, Tim Burton e Pedro Pascal. Os depoimentos convergem para um ponto: a atriz aliava timing cômico impecável a uma capacidade dramática muitas vezes subestimada.
A notícia que abalou Hollywood
No início da tarde de sábado, a agência que representava Catherine O’Hara confirmou que a atriz enfrentava uma doença não revelada. Minutos depois, redes sociais e veículos especializados registraram homenagens emocionadas. Michael Keaton, colega em Beetlejuice, agradeceu “a generosidade de cena” da atriz, enquanto Paul Walter Hauser declarou que ela era “sua Meryl Streep pessoal”.
Além do elenco que contracenou diretamente com O’Hara, figuras como Martin Scorsese e sua filha Francesca usaram o Instagram para expressar luto. A rapidez com que a informação se espalhou mostra o alcance da carreira de uma intérprete que começou em palcos de improviso no Canadá e terminou influenciando novas gerações de roteiristas.
A versatilidade de Catherine O’Hara em cena
A trajetória da atriz passou pelo lendário grupo The Second City e pela série cômica SCTV, onde conquistou seu primeiro Emmy de roteiro. Essa base no improviso ajudou O’Hara a compor personagens intensamente humanos, como a mãe desesperada em Esqueceram de Mim ou a socialite decadente Moira Rose, papel que lhe rendeu outro Emmy décadas depois.
Críticos apontam que seu repertório vocal, aliado a uma fisicalidade expressiva, permitiu percorrer extremos emocionais sem perder autenticidade. Daí a razão de Tim Burton ter confiado a ela dublagens em O Estranho Mundo de Jack e Frankenweenie — animações que, tal qual o recente Avatar: Fire and Ash, dependem de nuances para transcender o público infantil.
Diretores e roteiristas exaltam a entrega criativa
Tim Burton descreveu O’Hara como “a bússola moral” no set de Beetlejuice, ressaltando que ela aprimorava diálogos no ato, sem fugir da essência do roteiro. Chris Columbus, diretor de Esqueceram de Mim, recorda que a atriz sugeriu microexpressões que evitavam o estereótipo de “mãe histérica”, tornando a trama mais crível.
Para roteiristas que tentam equilibrar humor e melancolia, a atriz virou estudo de caso. O impacto foi semelhante ao que Guy Ritchie obteve ao mesclar ação e sentimento em The Covenant. O’Hara mostrava que rir e chorar podiam coexistir sem diluir a força narrativa, algo exaltado por Pedro Pascal, que contracenou com ela recentemente em The Last of Us.

Imagem: PA s/INSTARs
Impacto cultural e legados em diferentes gerações
O fenômeno Schitt’s Creek, série responsável por reintroduzir Catherine O’Hara a um público mais jovem, cristalizou o alcance cultural da atriz. A personagem Moira Rose virou meme, fantasia de Halloween e objeto de análise acadêmica sobre dialetos inventados. Essa popularidade tardiamente massiva faz eco ao que ocorreu com a ficção científica Inception, cujo desfecho debatido mantém o filme em evidência uma década depois.
Estúdios já sinalizam maratonas temáticas para celebrar a filmografia da canadense. O canal 365 Filmes, por exemplo, destacou como O’Hara soube dialogar com várias gerações, seja no terror gótico de Burton, no humor familiar de Esqueceram de Mim ou na sitcom que reinventou em parceria com Eugene Levy. Com essa amplitude, a atriz se tornou referência para quem pensa em construção de personagens longe de arquétipos fáceis.
Vale a pena (re)visitar a obra de Catherine O’Hara?
Reviver a filmografia de Catherine O’Hara oferece, acima de tudo, uma aula de modulação cênica. Em Beetlejuice, ela transita do exagero ao pavor genuíno; em Schitt’s Creek, alterna afetação e vulnerabilidade sem que a comédia perca ritmo. Para o público que busca entender como talento e técnica se fundem, cada papel é um estudo de timing, improviso e atenção aos detalhes.
Se a intenção é descobrir a gênese desse domínio, séries como SCTV mostram a atriz ainda lapidando sketches que anos depois ecoariam em longas-metragens. Já para quem prefere ver a artista no auge, o arco completo de Moira Rose evidencia seu raciocínio estético apurado, indo do figurino aos sotaques inventivos.
Entre blockbusters familiares e animações stop-motion, Catherine O’Hara confirma que versatilidade real não é apenas trocar de gênero, mas também de profundidade emocional. Reassistir a essas obras, portanto, é testemunhar a evolução de um dos talentos mais completos que Hollywood já produziu.
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