Existem séries que começam com uma ideia simples e rapidamente revelam algo muito maior. Touch é exatamente esse tipo de produção. Criada por Tim Kring, responsável também por Heroes, a série estreou em 2012 trazendo Kiefer Sutherland de volta à televisão em um papel bastante diferente daquele que o tornou mundialmente conhecido em 24 Horas.
Em vez de agentes secretos, conspirações terroristas e operações de emergência, encontramos aqui a história de um pai tentando se aproximar do próprio filho.
O problema é que esse garoto parece enxergar o mundo de uma maneira que ninguém mais consegue.
Números aparentemente aleatórios, acontecimentos separados por milhares de quilômetros e pessoas que nunca se conheceram começam a formar padrões. Aos poucos, surge a possibilidade de que tudo esteja conectado.
Sobre o que é Touch?
A história acompanha Martin Bohm, interpretado por Kiefer Sutherland, um pai viúvo que enfrenta enormes dificuldades para se comunicar com seu filho, Jake Bohm, vivido por David Mazouz.
Jake não fala e evita contato físico, tornando a relação entre pai e filho especialmente complicada.
Martin tenta entender o que o garoto sente e precisa, mas frequentemente parece existir uma barreira impossível de atravessar entre os dois.
Até que ele percebe algo estranho.
Jake possui uma enorme obsessão por números.
Inicialmente, eles parecem não significar nada. Porém, determinadas sequências começam a surgir repetidamente em lugares e situações diferentes.
Martin passa então a investigar o comportamento do filho e encontra uma possibilidade extraordinária: Jake pode ser capaz de perceber padrões matemáticos escondidos na realidade.
E esses padrões conectam pessoas.
Jake consegue prever o futuro?
Essa é uma das questões centrais de Touch.
A habilidade de Jake não funciona exatamente como uma previsão tradicional do futuro. Ele parece perceber conexões e padrões que outras pessoas simplesmente não conseguem enxergar.
Para o garoto, acontecimentos aparentemente independentes fazem parte de uma estrutura muito maior.
Um número escrito em determinado lugar pode estar relacionado a uma pessoa do outro lado do planeta. Um objeto perdido pode iniciar uma sequência de acontecimentos envolvendo desconhecidos. Uma pequena decisão pode alterar completamente a vida de alguém.
Jake identifica essas conexões antes que Martin consiga compreendê-las.
O pai, então, precisa interpretar as pistas deixadas pelo filho.
Os números são fundamentais em Touch
Os números estão no coração da série.
Jake frequentemente escreve ou destaca determinadas sequências numéricas, e Martin precisa descobrir o significado delas.
É quase como se cada episódio apresentasse um quebra-cabeça.
Enquanto Jake consegue enxergar o desenho completo, Martin possui apenas algumas peças.
Essa dinâmica cria boa parte do mistério da produção. O espectador acompanha Martin tentando descobrir quem está relacionado aos números e, principalmente, o que precisa ser feito.
Em muitos casos, pessoas completamente desconhecidas acabam conectadas por uma sequência improvável de acontecimentos.
É justamente essa ideia que define Touch: talvez nossas vidas estejam muito mais conectadas do que imaginamos.

Kiefer Sutherland interpreta Martin Bohm
Para quem conheceu Kiefer Sutherland principalmente como Jack Bauer em 24 Horas, assistir a Touch pode causar certa surpresa.
Martin Bohm é um personagem muito diferente.
Ele não possui controle sobre a situação. Na verdade, durante boa parte da história acontece justamente o contrário.
Martin está constantemente tentando alcançar algo que parece estar além de sua compreensão.
Ao mesmo tempo, existe uma motivação extremamente clara por trás de praticamente todas as suas decisões: proteger Jake e conseguir estabelecer algum tipo de conexão com o filho.
Essa relação funciona como o componente emocional da série.
Por mais que existam mistérios e elementos próximos da ficção científica, Touch continua sendo, essencialmente, uma história sobre um pai tentando compreender o próprio filho.
David Mazouz é Jake Bohm
Jake é interpretado por David Mazouz, que posteriormente se tornaria conhecido por viver o jovem Bruce Wayne na série Gotham.
Em Touch, porém, o ator enfrenta um desafio bastante diferente.
Grande parte da personalidade de Jake precisa ser transmitida sem diálogos convencionais. Seus movimentos, expressões e principalmente sua relação com números ajudam a construir o mistério envolvendo o personagem.
Jake sabe muito mais do que consegue — ou deseja — explicar.
Isso coloca Martin e o próprio público na mesma posição: ambos precisam interpretar seus sinais.
Touch mistura drama e ficção científica
Classificar Touch em apenas um gênero não é tão simples.
Existe claramente um componente de ficção científica, principalmente na maneira como a série aborda matemática, padrões e conexões aparentemente impossíveis.
Também existe bastante mistério, já que Martin precisa interpretar constantemente as pistas fornecidas por Jake.
Mas o drama familiar permanece no centro da história.
A série utiliza sua premissa extraordinária para explorar temas bastante humanos: perda, amizade, destino, coincidência, comunicação e a influência que nossas escolhas podem exercer sobre outras pessoas.
Em vários episódios, histórias ocorrendo em diferentes lugares do mundo começam separadas e gradualmente se conectam.
Quando todas as peças finalmente se encaixam, entendemos por que aquelas pessoas estavam sendo apresentadas.
A segunda temporada muda bastante a série
Quem assistir às duas temporadas provavelmente perceberá uma mudança significativa na estrutura da produção.
A primeira temporada trabalha bastante com histórias individuais interligadas pelos padrões percebidos por Jake.
Posteriormente, Touch começa a desenvolver uma narrativa mais contínua.
Os mistérios envolvendo as habilidades do garoto ganham importância e surge uma trama maior relacionada a pessoas interessadas justamente na capacidade extraordinária de identificar esses padrões.
Com isso, a série deixa parcialmente sua estrutura inicial e passa a investir mais em suspense e conspiração.
Essa mudança torna a segunda temporada diferente da primeira e amplia a mitologia por trás da habilidade de Jake.
Quantas temporadas tem Touch?
Touch possui duas temporadas.
A série estreou em 2012 e teve sua exibição encerrada em 2013.
Isso significa que estamos diante de uma produção relativamente curta, especialmente quando comparada a outras séries americanas da mesma época.
Para quem não quer começar uma história com oito, dez ou mais temporadas pela frente, isso pode tornar Touch uma opção interessante.
Por outro lado, é importante saber que a produção acabou sendo cancelada após sua segunda temporada.
Touch foi cancelada?
Sim. Touch foi cancelada depois de duas temporadas.
A série chegou com uma premissa bastante ambiciosa e tinha Kiefer Sutherland como grande nome do elenco, mas não conseguiu manter uma audiência suficiente para garantir sua continuidade.
Por isso, quem decidir começar a assistir deve saber que a produção não teve uma longa trajetória na televisão.
Ainda assim, suas duas temporadas permitem conhecer bem o universo de Jake e Martin e acompanhar a evolução da proposta original.
O que diferencia Touch de outras séries?
A ideia de que pequenas ações podem desencadear consequências enormes não é exatamente nova na ficção.
O diferencial de Touch está na maneira como transforma esse conceito em sua estrutura narrativa.
Imagine duas pessoas vivendo em países completamente diferentes.
Elas nunca se conheceram e provavelmente nunca irão se encontrar.
Mesmo assim, uma decisão tomada por uma delas pode iniciar uma sequência de acontecimentos que eventualmente afeta a outra.
Jake consegue perceber essas conexões.
O público, por outro lado, precisa esperar as peças se encaixarem.
Por isso, alguns dos melhores momentos da série acontecem justamente quando histórias que pareciam completamente independentes finalmente se encontram.
Touch ainda vale a pena assistir?
Para quem gosta de mistério, drama e ficção científica, Touch continua sendo uma produção interessante.
Principalmente porque sua premissa foge um pouco das fórmulas mais tradicionais do gênero.
Não existem viagens espaciais ou grandes tecnologias futuristas no centro da história. O elemento extraordinário está em algo aparentemente simples: números.
A série transforma sequências matemáticas em pistas para mostrar que acontecimentos aparentemente aleatórios podem fazer parte de algo muito maior.
Também é uma boa opção para quem gosta de produções em que cada episódio apresenta pequenas histórias que gradualmente se conectam.
Touch é boa?
Touch possui uma proposta criativa e um protagonista bastante conhecido, mas é uma série que provavelmente funcionará melhor para determinados públicos.
Quem espera algo parecido com 24 Horas apenas por causa da presença de Kiefer Sutherland encontrará uma produção completamente diferente.
Aqui, o ritmo é mais voltado ao mistério e ao drama.
A pergunta principal não é simplesmente quem é o vilão ou como impedir determinada ameaça. Muitas vezes, o objetivo é descobrir por que aquelas pessoas estão conectadas.
Essa característica dá personalidade própria à produção.

Vale a pena ver Touch?
Sim, especialmente se você gosta de séries baseadas em mistérios, padrões, coincidências e acontecimentos interligados.
A relação entre Martin e Jake oferece o lado emocional, enquanto a habilidade incomum do garoto sustenta o componente de mistério.
É uma produção sobre números, mas não exatamente sobre matemática.
No fundo, Touch utiliza esses padrões para falar sobre pessoas.
Sobre como um desconhecido pode influenciar nossa vida sem perceber. Sobre como uma decisão aparentemente insignificante pode gerar consequências enormes. E, principalmente, sobre a possibilidade de que acontecimentos que consideramos simples coincidências talvez façam parte de uma conexão muito maior.
Com apenas duas temporadas, Touch é uma série curta, diferente e especialmente indicada para quem gosta de histórias que fazem o espectador tentar conectar as peças junto com os personagens.
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