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    Cinema

    Quentin Tarantino e o fracasso de “It’s Pat”: a curiosa história do pior filme derivado de SNL

    Matheus AmorimPor Matheus Amorimnovembro 1, 2025Nenhum comentário4 Minutos de leitura
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    Quentin Tarantino sempre foi sinônimo de roteiro afiado e direção de mão firme, mas nem todo projeto com seu toque virou ouro. Antes de estourar com “Pulp Fiction”, o cineasta chegou a reescrever o longa “It’s Pat”, derivado de um popular quadro do Saturday Night Live (SNL).

    O resultado? Um fiasco retumbante: 0% de aprovação no Rotten Tomatoes, bilheteria de apenas US$ 60.822 e lançamento tímido em pouquíssimas salas. A seguir, veja como essa passagem pouco lembrada da carreira de Tarantino se desenrolou e por que quase ninguém viu o filme.

    A paixão de Tarantino pelo personagem Pat

    O envolvimento do diretor começou em 1993, quando o roteiro de “It’s Pat” já havia passado por diversas mãos. Tarantino, encantado pelo esquetes de Julia Sweeney no SNL, ofereceu-se para fazer um novo tratamento no texto. Ele adorava o humor em torno da ambiguidade de gênero do personagem, descrito por ele como “obnóxio e irresistível”.

    Durante a reescrita, o cineasta acrescentou um elemento de suspense: um perseguidor que não desistia de descobrir se Pat era homem ou mulher. Essa camada extra pretendia manter o mistério e, ao mesmo tempo, intensificar o conflito cômico, sem jamais revelar a verdadeira identidade de gênero de Pat.

    Detalhes da nova trama proposta

    • Pat passa o filme inteiro fugindo de um stalker obcecado.
    • Chris, o par romântico vivido por Dave Foley, também é intencionalmente enigmático.
    • Em momento crucial, ambos supostamente expõem suas genitálias, mas a câmera corta antes que o público veja.

    Produção problemática e lançamento limitado

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    Apesar das alterações, o roteiro final creditou Julia Sweeney, Jim Emerson e Stephen Hibbert. Tarantino não recebeu menção oficial, situação semelhante ao que ocorreu em “Crimson Tide”, onde contribuiu sem ser creditado. A direção ficou com Adam Bernstein, veterano de videoclipes e televisão.

    A Fox, receosa da recepção, liberou apenas US$ 8 milhões para o orçamento e programou o lançamento em 33 salas, todas em Seattle, Spokane e Houston. Sem divulgação nacional, “It’s Pat” saiu de cartaz rápido e só chegou ao home video sete meses depois.

    Números que explicam o desastre

    • Orçamento: US$ 8 milhões
    • Bilheteria: US$ 60.822
    • Rotten Tomatoes: 0% de aprovação crítica, 30% do público

    Críticas impiedosas e o status de pior filme do SNL

    A recepção foi devastadora. Variety classificou o longa como “pouco engraçado”, enquanto o Los Angeles Times lamentou a execução “terrivelmente falha”. Para um público acostumado a produções como “Wayne’s World”, o humor de “It’s Pat” soou datado e ofensivo.

    Quentin Tarantino e o fracasso de “It’s Pat”: a curiosa história do pior filme derivado de SNL - Imagem do artigo original

    Imagem: INSTARs

    O tom grosseiro e a insistência no mistério de gênero, sem uma mensagem clara, comprometeram o apelo comercial. A participação indireta de Tarantino virou nota de rodapé, já que seu nome jamais figurou nos créditos oficiais.

    Comparação com outros derivados do SNL

    Enquanto “The Blues Brothers” e “Wayne’s World” lucraram milhões, “It’s Pat” segura o título nada honroso de pior desempenho de uma adaptação do programa. Nem mesmo o pedigree do roteirista cult conseguiu atrair público.

    O que Tarantino disse sobre a experiência

    Em entrevista à Playboy, em 1994, Tarantino explicou que não se importava em descobrir o gênero de Pat; o fascínio vinha do comportamento “desagradavelmente divertido”. Ele mencionou um esquete com Harvey Keitel, onde o beijo entre os personagens reforçou sua convicção de que Pat agia “como uma garota”, embora continuasse ambígua.

    Mesmo após o fracasso, o cineasta nunca renegou o projeto, diferente do que fez com “Natural Born Killers”, outra obra baseada em roteiro seu. Ainda assim, “It’s Pat” foi o alerta definitivo de que seu humor ácido funcionava melhor mesclado a crime, violência e diálogos rápidos, não como peça central de uma comédia mainstream.

    Tarantino e a comédia: caminho que ele prefere evitar

    Desde então, o diretor não comandou nenhuma comédia pura. Elementos cômicos aparecem em “Pulp Fiction”, “Kill Bill”, “Django Livre” e “Os Oito Odiados”, mas sempre interligados a tramas de crime ou vingança. A recepção gélida de “It’s Pat” provavelmente reforçou a impressão de que seu estilo irreverente funciona melhor em gêneros híbridos.

    Para o público que acompanha o 365 Filmes, a lição é clara: até mesmo cineastas consagrados tropeçam quando saem de sua zona de conforto. E, no caso de Tarantino, talvez seja melhor deixar a comédia pastelão para outros realizadores.

    Este conteúdo foi publicado originalmente no 365Filmes. A reprodução total ou parcial é permitida apenas mediante a citação da fonte, com link direto (dofollow) para o artigo original, garantindo a correta atribuição de autoria e a credibilidade da informação.

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    Matheus Amorim
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    Sou Matheus Amorim Paixão, redator, crítico e fundador do 365Filmes (CNPJ: 48.363.896/0001-08). Com trajetória consolidada no mercado digital desde 2021, especializei-me em crítica cinematográfica e análise de tendências no streaming. Minha autoridade foi construída através de passagens por portais de referência como Cultura Genial, TechShake e MasterDica, onde desenvolvi um rigor técnico voltado à curadoria estratégica e experiência do espectador. No 365 Filmes, meu compromisso é entregar análises fundamentadas e honestidade intelectual, conectando audiências às melhores narrativas da sétima arte.

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