O lançamento de Melania, documentário que acompanha os bastidores da então primeira-dama dos Estados Unidos antes da segunda posse presidencial de Donald Trump, quebrou um recorde nada invejável. Com apenas 1,3 estrela de média no IMDb, o longa entrou para a história como o título de menor pontuação já registrado no site.
Dirigido por Brett Ratner, produzido pela própria Melania e orçado em US$ 40 milhões, o filme chegou aos cinemas em 30 de janeiro de 2026. Apesar da abertura robusta para o gênero, com US$ 8,1 milhões no primeiro fim de semana, o caminho até os US$ 100 milhões necessários para cobrir custos parece distante.
Recepção no IMDb bate recorde negativo
A marca de 24 mil avaliações e média 1,3 no IMDb deixa Melania atrás de produções amplamente criticadas, como Disaster Movie e The Hottie & the Nottie, que durante anos disputaram o posto de piores notas na plataforma. Em determinado momento, o filme chegou a 1,1 estrela, consolidando o sentimento de rejeição dos usuários.
A repercussão negativa se reflete também na crítica especializada. No Rotten Tomatoes, o documentário registra 10% de aprovação entre os profissionais, índice que confirma o desencanto geral. Curiosamente, o público do mesmo site mostra selo de 99% de “liking”, divisão semelhante à vista em obras politicamente polarizadas, como o biópico Reagan.
Atuação de Melania e Donald Trump frente às câmeras
Como protagonistas do material, Melania e Donald Trump surgem em entrevistas próprias e em aparições de bastidores. Não se trata de atuações ficcionais propriamente ditas, mas da construção de uma persona frente às câmeras. No recorte que foca a primeira-dama, é possível notar tentativa constante de controlar a narrativa, algo que críticos enxergam como excesso de autopromoção.
Donald Trump, por sua vez, tem participação pontual, porém decisiva para manter o tom familiar que o documentário tenta estabelecer. Ainda assim, a química entre o casal não se traduz em profundidade dramática. Para parte da audiência, assistir ao ex-presidente em cena pode recordar a curiosidade que cerca figuras históricas; para outros, a exposição prolongada reforça o caráter publicitário do projeto.
Direção de Brett Ratner e estrutura narrativa
Brett Ratner construiu carreira em blockbusters como a franquia A Hora do Rush. Aqui, porém, o cineasta se aventura em formato documental, apostando em entrevistas, imagens de campanha e bastidores de eventos oficiais. A montagem tenta imprimir ritmo acelerado, mas esbarra na repetição de discursos e na ausência de vozes externas.
O roteiro, assinado por uma equipe não divulgada em detalhes, acompanha Melania em reuniões de planejamento, escolha de figurinos e compromissos protocolares. Falta, no entanto, o contraditório que costumeiramente enriquece produções do gênero. A ausência de consultores independentes reforça a impressão de peça institucional, problema apontado por boa parte dos 20 críticos que avaliaram o filme no Rotten Tomatoes.

Imagem: Imagem: Divulgação
Impacto financeiro e reação do público
Distribuído pela Amazon MGM Studios, Melania representa alto risco financeiro. Documentários raramente ultrapassam barreiras de US$ 10 milhões na estreia, o que faz do resultado inicial algo relevante dentro do segmento. Mesmo assim, a meta de dobrar ou triplicar o orçamento parece distante.
Os números de bilheteria também chamam atenção quando comparados à superprodução Send Help, que, sob a batuta de Sam Raimi, dominou 2026 com um terror original e abriu perto dos US$ 60 milhões, segundo relatório recente. A diferença de fôlego sugere que Melania terá dificuldades de se manter em cartaz, especialmente após o previsível recuo de segunda semana.
Reforçando o caráter polarizado do lançamento, grupos de apoiadores organizam sessões coletivas, o que ajuda a explicar a aprovação de 99% no público do Rotten Tomatoes. Ainda assim, analistas de mercado lembram que tais mobilizações geralmente não sustentam longas temporadas, situação vivida por títulos com forte apelo político lançados nos últimos anos.
Vale a pena assistir ao documentário Melania?
Para quem acompanha a família Trump, Melania oferece visão extensa dos protocolos e da estética cultivada pela ex-modelo na Casa Branca. A direção de Ratner entrega acabamento técnico acima da média de produções do gênero, com fotografia polida e trilha sonora elegante de fundo.
Em contrapartida, a falta de contraditório e o foco quase exclusivo na autoimagem da protagonista limitam o alcance narrativo. Sem escavar temas polêmicos nem abrir espaço para vozes divergentes, o resultado se distancia de documentários que conseguem equilibrar intimidade e contexto histórico, como ensinam clássicos sobre ícones do entretenimento – vide o aguardado Michael, cujo trailer recente comprova o interesse por retratos multifacetados.
Portanto, quem busca análise crítica mais profunda ou testemunhos inéditos pode sair frustrado. Já espectadores curiosos sobre bastidores de poder, moda e etiqueta encontrarão um desfile impecável de cenários, mesmo que pouco questionador. O 365 Filmes continuará acompanhando a trajetória de Melania nas bilheterias e nas futuras atualizações de nota no IMDb.
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